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25 dezembro 2010

Pinheirinho de Natal

 Sentada frente ao sol
Na sacada de minha casa
Olho o dia e bebo a luz
Feita da Noite de Natal
Ao meu lado um pinheirinho
Frágil como um segundo
Feito do oxigênio do mundo
Parece querer conversar
E me conta dos momentos
Tantos que já viu passar
Diz me da saudade da mata
Da simplicidade natural
Das sementes em gestação
Que sempre são mutação
Diz me das sementes da vida
Dos seres em expansão
Diz me da desenvoltura
De seus galhos se formando
Prontos a receber os ninhos
E o canto dos  passarinhos
Sempre voltados ao céu
E livre como um menino
Fixo em suas raízes
Preso nos seus limites
Vive a contradição
Buscando a realização
Tanto quanto eu
Somos na lei do universo
Parentes em extinção?

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes


18 dezembro 2010

O canto do poeta


Todo dia canta a cotovia
No balanço do trem
Abarrotado de gente
Cansada do final do dia
Sem alcançar o final da lida
Miserere nobis
Ora, ora pro nobis
.
Todo dia canta o rouxinol
Sua tristeza ao ver
Crianças vazias
Nas ruas cheias de gente
Sem alcançar o final da dor
Miserere nobis
Ora, ora pro nobis
.
Todo dia canta o bem me quer
Seu desalento pelos casais
Repletos de desamor
Ilhados na solidão a dois
Sem alcançar o final do circo
Miserere nobis
Ora, ora pro nobis
.
Todo dia, afinal, canta o poeta
A esperança de ser amor
Os segundos de cada vida
Na beleza do universo
Dos sentimentos em verso
Jesu Christe
Hosanna in excelsis
.
Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes


14 dezembro 2010

Fogo fátuo

O cinza da chuva
O breu da saudade
Matizam meu eu
Em suavidade
O som do acalanto
No abraço do vento
A pele arrepia
Me lembra você
Teus passos ao largo
Copiam os meus
No rastro da areia
Que o mar devolveu
O brilho do orvalho
Orvalha meu ser
No vazio do olhar
Sem nada pra ver
No entorno do aro
Sou fogo ardente
Que gira e apaga
Apaga sem ser

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes


12 dezembro 2010

A ilha


Além muito além de mim
De você
De nós
Nas galáxias perdidas
Da humana visão
Existe uma ilha de vida
Em espectro colorido
Em amplidão
Onde a linguagem
É expressa
Somente com a emoção
A alma escreve
O coração dita
O sol energiza o texto
A lua lhe coloca amplidão
Com estrelas em conspiração
O mar enleva e leva
Flores e sementes
Na fragrância da paixão
Lá amor é tão real
Verdadeiro e leal
Que o sonho
Não deixa crer
Porque o sonho
E a realidade
Andam juntos
Num só ser
Essa é a ilha Poeta
Onde busco inspiração

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

04 dezembro 2010

O diapasão

Era uma pedra
Um diapasão
No meio da rocha
O vento a beijava
E ela gemia
E o mar marulhava
E ela entendia
E o sol borbulhava
E ela fervia
A lua surgia
E ela fugia
Do som
Desterrado
Do seu coração
Era uma pedra
Em  diapasão

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

02 dezembro 2010

Limalha de ferro


Limalha de ferro
Voando ao vento
Batendo no peito
Do homem sem dor

Limalha de ferro
Pedaços de um todo
Que se espatifou
E o vento levou

Pra longe da vida
Pra longe do mar
Pra longe do ar
Pra não se juntar

Limalha de ferro
Tão forte que era
No todo que encerra
Se disseminou

Limalha de ferro
Pedaços partidos
Buscando meu eu
Que não se acabou

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

29 novembro 2010

Além da lenda

Era uma vez... uma lenda
Linda lenda
Chamada Vida
Em que sementes florescem
Frutos acontecem
Sol é o sal do universo
Chuva é a fonte
Que mata a sede
Do mundo
Mar é amplidão
De amor
De desejo
De sonho
De beleza
Espelho da lua
Cama das estrelas
Mistérios da origem
Em seu fundo
Desconhecido
Tão desconhecido
Quanto a linda lenda
Da vida
Da minha vida
Da sua vida
Da nossa vida
Em que somos
Aves a voar
Cruzando o espaço
Repletos de pólen
Vindo do além
E indo para o além
Na forma de gen
Além...muito além
Da lenda da Vida

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

26 novembro 2010

Fui longe, mas não além de mim


Eu fui longe
Muito longe
De encontro
Ao coração
De quem desconhecia
O sentimento
De quem reconhecia
Apenas alegria
Passageira
Efêmera
Irreal
Sorriso forjado
Máscara
Tristeza
Ocultação
E então
Eu fui mais longe
Mas tão longe
E em mil olhos
Te segui
E de verdade te vi
Até que parei
E não fui
Absolutamente além
Porque nesse momento
Então eu soube
Que me amei

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

24 novembro 2010

Saudade

Nos rabiscos dos teus traços
Descubro as linhas dos meus
Alfarrábios d’alma
Em nanquim
Nos soluços que se calam
Fora e dentro de mim
E na corrida do tempo
Um grito corta o vento
E se instala no peito
E arrebenta sem jeito
Sem conserto
Em tatuagem
Plasmado
Doendo
Latente
Provocando a ferida
Em brasa incandescente
Feita de tanta... saudade

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes


19 novembro 2010

Bolhas de sabão


Sentada junto ao pé de Manacá
No jardim do teu vizinho
De olho espichado pelo muro
Que alcança o teu quintal
Assopro bolhas de sabão
Coloridas de mil cores
Feito translúcidas lamparinas
Que explodem no ancinho
Largado no teu jardim
E essas bolhas de nada
Alcançam o nada de nós
Em tudo, que não temos mais

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

13 novembro 2010

Paradigma

Sonha o dia com a noite
O sol com a lua
Sonho eu
Sonha você
Estrelas com o luar
Adormecidos
Silentes
 Caminhando
Pela orbe vital
Maior
Muito maior
Que a orbe visual
No paradigma do sonho
Tudo pode acontecer
Menos agora
Eu e você
Você e eu

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

06 novembro 2010

Há mil anos além


Você quer
Quero sim!
Sem cartório
Ou falatório
Sem igreja
Sem juras
Sem perjuros
Sua casa
Minha casa
Sua vida
Minha vida
Sem contratos
Sem distratos
Sem emblemas
Seus filhos
Meus filhos
E a vida
Será um eterno bem querer
Feito dos nossos elos
Nossos anseios
Muito conversar
Música do nascer do dia
Ao adormecer da lua
Se amar sempre
Quando se quiser
Na sua casa
Na minha casa
Em outro lugar qualquer
E muitos passeios
E sol
E mar
Flores
Reunião de forças
Idéias trocadas
E ao final do dia
Boa noite meu amor!
Minha cama
Sua cama
Intimidade resguardada
De cada puro eu
Pra dormir
Sonhar e ser
E as cores do amor
Preservadas
Na beleza dos momentos
Cultivados
Feitos
Encantados
Pra viver
Na entrega
Nossa cama
Pouco importa
Que cama é
Se feita de relva
Da areia da praia
Ou em lençóis de seda
Conjugados de cetim
Cada dia num lugar melhor
Criativo
Inovador
Lindo
Sem hipocrisia
Feito de poesia
Próprio para o amor
Tudo isso
Quero eu
E você?

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

04 novembro 2010

Era uma vez...


Era uma vez...
Era uma vez?
Era uma vez sim!
Era?
Era...
Era eu?
Era você...?

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

02 novembro 2010

Dobram os sinos


Dobram os sinos
E o som chega ao além
Diáfono e misturado
Ao pulsar dos corações
Em vibrações de elos

Nos campos santos
Flores misturam cores
Falam de amores
E plasmadas
São recolhidas no etéreo

E gigantesca ecoa a prece
Como se o o sol surgisse
Dentro de cada um de nós
E se esparramasse
Por todo o universo

E na pátria original
As fontes cantam o tempo
Entoando a eternidade
E o seres saúdam a vida
Certos de que não existe a morte

E singrando a densidade
Abraço na volatilidade
Todos aqueles
A quem tanto amo
E de quem tenho saudade


Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

30 outubro 2010

Cálice


Frases esparsas
Sentidas
Marcadas
Gravadas por um
Esquecidas por outro
Foram cálice de licor
Comprado e não servido
Em translúcido cristal
Transparente
Afastando o amor

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

27 outubro 2010

Sentimentos

Gorgeiam os pássaros
Assovia o vento
Marulha o mar
Se abre a flor
Ao calor do sol
E se orvalha
À luz da lua
Num raio multicor
E tudo isso é amor

A pedra rola
O seicho se especializa
A terra treme
O céu ribomba
As estrelas acordam
A noite tinge o dia
A brisa acaricia
A cachoeira canta
E tudo isso encanta

O ar se fortalece
A energia cresce
O universo acresce
A vida se revela
O tempo pulsa
Os segundos correm
O pensamento enleva
As lágrimas escorrem
E tudo isso eleva

A natureza sente
E brota
De forma natural
Seus sentimentos
E o ser humano
Em travas do racional
Bloqueia o seu sentir
Com medo de sofrer
E vai se esconder

E a máscara posta
É como a tampa de perfume
Tão atarrachada que enrosca
Sem deixar jamais
A fragrância se expandir
E invadir
E alcançar
E abraçar
E sentimentos ser

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

21 outubro 2010

Minha oração de todo dia...poesia



Minh’alma
Dita orações
Em exaltação
Poesias
Pulsantes
De inesgotável amor
Do sonho às rimas,
Das rimas aos versos
Conversas ao universo
Em eloqüente elo
De seres cativos
Terna e eternamente
Em beleza e cor
E da paz ao sonho
E do sonho às metas
Passeio pelos anseios
E o céu
Moradia das estrelas
Anoitece a cada novo dia
E então há elevação
No corpo da alma
Da gente
Em canção
A ditar às mãos
Mais uma oração
Em que recolho a luz
De cada tempo
Em jardins de eventos
E colho das partituras
Somente a melodia
As notas puras
Da música divinal
Cantada pelo vento
Regida pela brisa
Em coro de anjos
Orquestra de devas
No balê do coração
Que dança
Em sintonia direta
A cada novo dia
Numa oração completa
Em forma de poesia

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

19 outubro 2010

O silêncio fala alto quando grita sentimentos


A energia que me alimenta
Que vem do cosmos
Que passa pelo mar
Voa pelo ar
Ancora em mim

A mesma energia que te alimenta
Que vem do cosmos
Que passa pelo mar
Voa pelo ar
É a mesma que ancora em mim

E nesse ciclo maravilhoso
A única voz que se ouve
É a do o silêncio
Que fala alto
Quando grita sentimentos

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

11 outubro 2010

Reticências d'alma

Para visualizar, clique no livro e quando abrir, clique em f11 para ficar tela cheia. Para BAIXAR, veja na coluna ao lado.

10 outubro 2010

Hoje, amanhã, sempre, para sempre


Não
Eu não te abandono
Porque me abandono a ti
No mudo silêncio
Que me invade
Nasce no meu peito
Uma triste flor
Da cor do sangue
Da chama viva
Do fogo ardente
Chamada saudade
Sem qualquer amenidade
Porque machuca e faz doer
Saudade, sim saudade
Dos momentos ternos
Da amizade companheira
Como trilha em esteira
Do sólido sentimento
Que ninguém derrubou
Muitos me odiaram
Muitos também me amaram
Mas nada disso tem valor agora
E vou mundo afora
Porque o que me importa
É o que meu coração comporta
E nada haverá de demover
O que não querem ver
Falem todos os que não podem calar
Falem todos os comprometidos
Com esse orgulho atrevido
Com esse desfavor arraigado
Apegado
Porque eu gritarei ao vento
Eu bradarei ao mar
Sem medo
Natural
Universal
Sentimento
Que me faz amar-te
Hoje, amanhã, sempre
Para sempre....

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

02 outubro 2010

Delicada pausa



De repente a febre até passou
Mas a garganta continua atingida
Afetada por palavras que ainda calou
Talvez à espera de palavras outras
Como fonte d’água necessária
A limpar os caminhos
A clarear horizontes
Em reconhecimento de eus
Em nós, de agora em diante
Delimitando novo horizonte
Pra uma nova sinfonia
Em acorde inicial
Em limitadas linhas
Claras como o dia
Límpidas em raios de sol
A trazerem  nova energia
Ao sentimento...seu e meu
Senão no mesmo sentido
Então em retas paralelas
E enquanto palavras se calam
A música continua
Na alma da composição
Que em delicada pausa
Espera

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

29 setembro 2010

Banzo


Em pleno mar da vida
O navio singra sem cor
Trazendo-me prisioneira
Desse tão dolente amor

Atada em laços de enlace
Que prendem a própria alma
Em dor que entorna do cálice
A seiva do coração

E nesse relógio da vida
Centrado no meio do peito
O banzo explode e crepita

Na saudade do que eu era
E que a liberdade espera
Pra desatar esse nós

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

26 setembro 2010

Uma janela pro etéreo

Há muito descobri a janela pro etéreo
E por ela me comunico contigo
E das últimas notícias sei que estás bem
Acomodado em teu novo ninho
Amoldado ao teu novo trabalho
E que embora o hajam convidado
A voltar você não quiz
E te respeitaram o arbítrio...
Sei que me vais esperar
Aí vamos nos encontrar
Uma vez mais nos abraçar
E, por certo, um outro plano de vida
Juntos vamos firmar
E hoje
Em que farias a mesma idade que eu
Lembrei-me como era bom o teu aniversário
Meu querido marido festeiro
Alegre como um menino
E aprendi a fazer bolos
Por força desse gostar
E em todas as festas surpresas
Que aprendemos a trocar
Fosse no dia do meu, em que tantas vezes sorri
Surpreendida por tua imaginação, tuas flores
Música, e um verdadeiro esconde esconde
E...de repente um buffet inteiro aparente
E da minha parte a mesma coisa
Surpresa, alegria, encantamento
Acho que foi por isso que tanto durou
Nunca houve agruras, nem reclamações
Tomamos as rédeas de nossas vidas
Como se fossem uma trilha desconhecida
Que precisássemos domar
Em aventura infinita
E foram tantos dias belos
Tanta lida incrivelmente repartida
E tantas trocas e conhecimentos
Reconhecimentos de nossos eus
E tanto o teu colo foi meu
Como o meu também foi teu
E se eu pudesse te daria naquele momento
Tão triste e tenso da partida
O meu próprio respirar
Durou pouco
Fez se a luz
Veio o consolo e a ternura
Maior que o sol ou que o luar
Pra sempre a nos acompanhar
Quantas vezes te visitei
E quantas aqui te vi
E nesse dia especial que jamais esqueci
Estou aqui te abraçando
Plasmando nesta poesia o presente
No meu coração a semente
De todo imenso amor
Germinado em ti e por ti
E onde quer que estejas
Na estrela mais bonita
No por do sol mais dourado
No raio de luar sedimentado
Exposto em rosto ao mar
Recebe o meu amor
E dos nossos filhos também
Que cada um ao seu modo
Soube te acalantar
Por que plantastes a semente
Do “tudo” comemorar
Feliz aniversário latente
Na lembrança da tua vida
Que em mim, em nós, ficou
Pra sempre.....

Homenagem ao Ka - em 25/09/2010

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

24 setembro 2010

Dançando com Platão

Eu vou te amar
No imo do coração
No canto do mar
No brilho das estrelas
No braille dos fios de sol
Que costuram minh’alma
E enfeitam meus olhos
Enfeitiçados de amor
Cegos pra escuridão
Luzentes
Crentes
Efervescentes
Em febre latente
Por todo meu eu
Eu vou
Livremente
Nas asas do amor
Dançando com Platão

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

20 setembro 2010

Vetores


Indicam o rumo dos ventos
O rumo da lógica
Na ilógica magia do amor
Que alcança a aldeia
De minha morada anciã
Que me desabriga
Desalinha meu ser
Encolhe minh’alma
Desnuda meu eu
Constrangidamente
Na força do saber
Dos dias idos
Nos dias vindos
Que amo você
Mais do que posso
Mais do que devo
Mas com certeza
Amo você.....

 Renato Baptista assim  comentou na Casa da Poesia

Vetores que constroem torrente de paixão acelerada em que o sentimento grita alto e ecoa, refletido pelas paredes do mundo. Lógica e paradoxos sustentam o ser através dos tempos, através dos hiatos construídos numa história sem fim... e daí a certeza daquilo que é mais valioso ao coração e encerra o poema de forma magnífica.

Criado e Postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes, na Casa da Poesia em 19/09/2010

15 setembro 2010

O girassol e a borboleta



És girassol
Sou borboleta
E todas as vezes
Que te beijo
Em pensamento
Sem palavras e obras
És girassol
Sou borboleta

Criado e postado por Márcia Vilarinho em maio de 2010
Poesia selecionada para o livro "Poesias Encantadas - Antologia Poética"
Promotor da obra: Luciano Becalete, poeta e escritor

14 setembro 2010

Ser poeta



Ser poeta
É dar cores aos sentimentos
É conversar com as flores
Em seus doces movimentos

Ser poeta
É reter o sonho em verdade
Nos braços da realidade
Fazendo o dia melhor

Ser poeta
É beber do orvalho
É chorar chuvas de verão

Ser poeta
Mais que tudo é ser etéreo
Em sua eterna emoção.

Criado e postado por Márcia Vilarinho em agosto de 2010

Poesia selecionada para o livro "Poesias Encantadas - Antologia Poética"
Promotor da obra: Luciano Becalete, poeta e escritor

12 setembro 2010

Uma história em três atos reversos

Seguir....
-
Passam-se os dias e os anos
Vertem-se perdas
Plantam-se chorões
Em vários corações

De você levo o sorriso
A calma que aprendi
Na beleza de sua alma
No seu rosto em compleição

Senti um amor sem igual
Que ficou pra sempre guardado
No meu verso original

Chega a hora de partir
Voar, seguir, aprender
E meu destino cumprir

Caminho da ida

O sol raia novamente
O dia se prenuncia
Caminhante eu vou
Buscas novas eu sou

Novas flores
Perfumes novos exalam
Observa, olha e vê
Novas etapas que calam

Levo perfumes antigos
Somas de bem querer
Caleidoscópio vibrante
Inesquecível prazer

Todas as luzes de outrora
Em arco íris gigante
São sonhos de nova aurora
O novo precisa nascer

Caixinha musical

E de repente o cansaço usual
Pelas trilhas que adiante vão
Sento-me no chão
E abro minha caixinha musical

Ela é o meu próprio coração
Em partituras da alma
Feita de tanta emoção
Na fleuma total da canção

Lindas cantigas de amores
Lembranças cheias de cores
Torrentes inesquecíveis
De cada minuto a pulsar

E foi assim que aprendi
Que a vida não é um jogo
Em que um tem que ganhar
Ela é apenas nosso todo caminhar

Criado e Postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

10 setembro 2010

Aprende


Aprende a ver, a ouvir e escutar
Aprende a ter, a receber e a dar
Aprende a ser e o outro respirar
Aprende a sentir e a amar

E o que é amar?
Amar é deixar a emoção fluir
É não temer sentir
E, por primeiro, se aceitar

Frases feitas por efeito
Em maneira educada de falar
É razão na forma de cativar

Frases vivas do sentir
Em maneira alegre de expressar
É eterno vincular

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

06 setembro 2010

Sonho azul


Sonhei com o mar...
De mãos dadas pela orla
Seguíamos em luz
O amor em nós

Sonhei em azul
O céu e o mar
Nossos lábios
Beijo arrebatador

Sonhei com o abraço
Carismático
Mais sensual que recebi

Sonhei com nossos corpos
Interligados
Em laços de quimera

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

02 setembro 2010

O Mar


Mar que flameja indolente
Nas ondas do vai e vem
Beijando meu corpo ardente
No abraço de quem quero bem

Mar que de azul tão celeste
Me envolve depois com encanto
Corpo e alma nessa veste
Como a sereia em seu canto

Mar de amor em amplidão
Mar que acarinha e enlaça
Mar eu em pura emoção

E na paixão arraigada
Nua e desabrigada
Em plena consumação


Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

27 agosto 2010

Inquebrantável amor...livre

Amo-te
Pra sempre cativa
Inquebrantavelmente
Talvez eternamente
Livre dos grilhões
Das máscaras frias
Das hipocrisias
Do passado dolente
Findo e tão latente
Liberta
De interesses outros
Tão presentes
Em ouvidos moucos
De verdadeiro amor

Amo-te
Pra sempre cativa
Em eterna essência
Ainda que me troques
Por corpo escultural
Buscando aparência
Em vingança urgente
Visando sedação
Da tua dor
Por espatifado amor
Rompendo a corrente
Que sem grilhões
Te torna preso
Indefinidamente


Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

25 agosto 2010

II - O braço sai


Não foram poucas as dificuldades para ser compreendida, nesses anos em que meus pés estão, em absoluta greve, reivindicando melhores condições medulares.

E...enquanto isso...há os que superprotegem, os que ajudam, os que se condoem, os que jamais deixaram que a cadeira sobrepujasse ao quem sou, em plano primeiro.

De tudo um pouco, e de pouco em pouco grandes e queridos amigos, cada qual com sua visão.

Da memória, no entanto, já que agora o armário continua ocupado pela meiguice, surgem tais lembranças, que resolvi postar em crônicas.

Um dia, algum tempo após a véspera, fui obrigada a comparecer a um determinado ponto em São Paulo.

Obrigatório que eu lá estivesse. O local possuía uma imensa escada. Verdadeira parede de degraus.

Em nossa inexperiência, meu marido e eu, resolvemos que eu iria no seu colo e um senhor, amável colaborador, subiu primeiramente com a cadeira de rodas, meu então atual sapato especial.

Conseguimos assim vencer a barreira, que não existia, ainda, a tal lei “legal” para adaptação dos prédios públicos.

Cumprida a tarefa, restava-nos o caminho da volta. Descer nem sempre é mais fácil que subir e a história de que pra baixo “todo santo ajuda” pode provocar uma verdadeira hecatombe.

No entanto, ao olhar ao redor, vi um contigente de pessoas ali a trabalho e resolvi pedir ajuda, diante do olhar estupefato de meu marido que, muitas vezes, olhou o que eu fazia, assim.

Todos, sem exceção, se prontificaram a ajudar, em conjunto.

Eu usava uma cadeira alugada, até então, pois ainda precisava conhecer como é que esse novo mercado funcionava e o que oferecia para pés em greve.

De repente me lembrei de algo importante e disse... “Moço, cuidado, que o braço sai”.

Em menos de segundos, não tínhamos ninguém ao nosso lado...sumiram todos.

Olhamos um para o outro, meu marido e eu, e o riso foi tão simultâneo quanto à conclusão a que chegamos de imediato.

Eles imaginaram que era o meu braço..., e não o da cadeira, que saíria.

A vida nos oferece momentos que podemos ter como dolorosos ou coloridos e...esse ficou como um momento colorido, sim, pela cor do desconhecimento e da pane que causou...de forma, até então, bem engraçada.

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

Crônicas de Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
II – O braço sai...


23 agosto 2010

Crônicas de Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

Momentos
 I – A véspera


Não é sempre que conseguimos grandes vitórias nos embates da vida, mas, nós, de verdade, conseguimos.

No dia anterior nos abraçamos logo ao raiar do dia e foi tanto amor que o sol se ofuscou enciumado.

No dia da véspera, um domingo lindo, juntos corremos pra completar as tarefas de casa em que um casal, com um bebê de dez meses, uma linda menininha, sabe bem o quanto precisa correr, se quiser sair, logo após o almoço.

Arruma a casa, o almoço, o banho da pequena criatura, a roupa mais bonita escolhida a dedo, vestidinho vermelho com xadrez bem pequenininho e sapatinho a combinar, a sacola, fraldas descartáveis, fraldas de pano, uma toalha, sabonete, mamadeiras, sopinha da janta, fruta, roupinha, agasalho, e também o bebê conforto acoplado ao carrinho, pra que o nosso bebezinho, possa estar bem confortável.

E enquanto você se arruma o outro cuida de entreter a menininha que não para quietinha em lugar nenhum. Que linda! Bate palminha e ri a gargalhar com a festa de brincar que lhe faz o pai. Inesquecível cena!

Desde o amanhecer há música na “vitrola”.

E aí é a sua vez, você está recendendo ao melhor perfume, em sua roupa nova, cheia de charme, nos píncaros de seus sapatos altos e seu cabelo absolutamente esvoçoante e lindo, quando após o suquinho, a meninha resolve devolvê-lo inteirinho sobre você.

Aí você se troca e passa do charme e do esvoaçante ao casual, numa pantalona simples, uma blusa longa, um lenço lateral, uma sandália franciscana e desencana e vai, tão feliz, tão sem igual.
Feliz por uma noitada boa. Alegre por um dia bem vindo, trazendo no corpo a tatuagem do amor e no colo a realização feita criança, filha.

Enfim no carro, vamos à festa e os sorrisos e a alegria no encontro dos grandes amigos, e depois no aniversário de gente que espera a sua chegada pra completar mais um ano de vida.

Não me esquecerei daquele dia nove de novembro, daquele tão especial aniversário. Eu sempre amei aniversário dos outros, porque o meu como cai em feriado sempre aproveitei pra viajar, aliás, lembrem-se, dia vinte e um de abril.

As crianças pequenas, primas que nasceram semi juntas, uma num dia outra no outro. Uma trabalheira danada, mas finalmente quando você chega em casa, cansada, estourada, e vê a filhotinha dormindo como anjo, fica a olhar devagarinho descobrindo cada pedacinho do corpo casa que você e o outro construíram com a argamassa do amor.

Noite alta, semi luz, que acode o sono de mansinho, abraçados, encaracolados, no pedaço dividido de uma cama de casal, tão grande abrigo.

E, de repente, soa o despertador e a São Silvestre começa, novo dia, mesmo horário, mesma pressa, um beijo semi acordado e um lampejo reprimido fazem da tônica o dia.

Cadê meus óculos, onde coloquei os meus sapatos? Vou chegar atrasada. E a Dona Wanda que não chega. Acorda! Vem me ajudar. Preciso sair. Você vai me levar?
Um carro só e a Dona Wanda chegou, você me levou e eu nunca mais voltei.

No retorno, no entorno da vida, o acidente pavoroso me levou a capacidade de andar, mas não a de ser companheira, e quem retornou já não fui mais eu, era outra que aprendia, de repente, todo dia, uma nova e inesquecível lição, da vida vivida e daquela vida nova.

Sobrevivi a mim mesma e quando essa outra, que hoje sou eu, chegou e viu aquele pequeno ser a sorrir e a dizer “mamãe”, se fez forte eternamente.

Sobrevivi a mim mesma, quando observei que a casa havia sido transformada em passagem possível pra minha cadeira de rodas, e a Dona Wanda, sorrateira, disse: Ele sentou-se na sua cadeira pra arrumar todo o espaço e indefinidamente eu me fiz cativa daquela fala, daquele momento especial que me fez novamente inteira.

E nesse dia em homenagem a ele eu me levantei etérea...e assim seguimos ora sentados juntos numa mesma cadeira, ora abraçados juntos como se um apenas no colo do outro andasse.

E a véspera se fez saudade indefinidamente...

18 agosto 2010

Adeus meiguice

Um dia briguei com a meiguice
Porque o meu pranto era latente
A minha dor era doente
A minha realidade era dura
A doença competia com a vida
E a vida competiu com a morte
E  levou o tesouro do meu amor e norte
E sofri tanto, mas tanto, e tão sentidamente
Que coloquei a meiguice de castigo
Dentro do guarda roupa do meu quarto
Esquecida indefinidamente
E só assim o meu pranto acabou
A minha dor amainou
A realidade passou a ser o que eu queria
Meu nome era Força, era Trabalho
União, Nostalgia, Amizade, Lealdade
Fúria, Rebeldia, Destemor, Temor, Braveza
Realeza, Aspereza, Soberba, Amor, Arrogância
Riso, Alegria
Um pouco de cada, em cada canto
Em cada gesto
Em cada dia
E a vida nunca mais competiu com a morte
E ninguém se atreveu ao mote
De repente eis que por um descuido
Um desses sentimentos puros
Que você imagina não acabará jamais
Fui convocada pelas sensações
Que me aliciaram e arrebataram
Docemente em palavras tão sonoras
Em gestos tão sinceros
Em tão bonitos modos
Tão falsa assim seria a minha leitura?
Preponderou a beleza da amizade
A certeza da sinceridade
De ser querida e estimada
E mais ainda eu queria e estimava
Além do mais agradecia
E mais que tudo
Eu confiava
Provas não faltaram
Eu as tive
Valorizei todas
Diamantes raros
Feitos vidros de substâncias mágicas
Estáticas
Poções, Goles
No cofre do coração
Esse perfume inebriante
Ainda que falho
Carregarei comigo vida afora
Mas você meiguice
Diga adeus
Porque estou fora.

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

15 agosto 2010

Quimeras da paixão


Da paixão nasceram dias
De rara felicidade
E extrema cumplicidade
Num jogo de sedução
Não pude deixar de amar
Por primeiro o teu sorriso
Depois o teu sério observar
E os teus olhos me seguiam
De longe, sempre a afagar
E mesmo que eu não te visse
Minha a’lma te pressentia
E o meu passo seguia
Na sombra do teu caminhar
E do mais leve dos toques
Da sua barba, o roçar
Fui harpa em som de lira
Assim a me revelar
E da música a melodia
Ficou perdida no ar
E os anos foram indo
E a vida foi ficando
Cada vez mais a vagar
E no finito do tempo
E no infinito do amar
Eis nos hoje a sonhar
Com o dia que se foi
Com o ano que passou
Com a vida a passear
E da paixão de outrora
Ficou guardado o vulcão
Hoje sou lava que chora

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

13 agosto 2010

A labareda e o mar


Lá do alto da montanha
Vejo luzes a vagar
Lamparinas há no solo
E estrelas no céu a brilhar

Bem de frente pra você
Vejo luzes a raiar
Nos teus olhos há anseios
Eu não posso duvidar

Lá na linha do horizonte
No universo o descansar
Da penúria e da mágoa
Do pesado caminhar

Enlaçada nos teus braços
Sinto o gosto de amar
Como fruta bem madura
De um raro adocicar

Lá no fundo do oceano
Mora pra sempre o mar
Feito do choro do mundo
E do sorriso do luar

E do fogo a labareda
Jamais há de se apagar
Somos o todo do mundo
Que ninguém vai separar

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes






11 agosto 2010

Sou deserto...meio e fim


Sou deserto...meio e fim
Sem oásis
Sem transporte
Em chinelas
Sem palácios ou quimera
Sou deserto, meio e fim

Na vastidão de areia
Que fere os olhos
No clarão da aurora
Eu me perco assim
Tórrida sem meio ou fim

No calor que abrasa
Que derrete a neve
Nos contrários pólos
Minhas calotas de mundo
Contraditórias em meio e fim

E sigo buscando
Um não sei que, pra que, aonde
Até encontrar a catacumba
Ou a tenda do sheik mais bonito
Sigo entre meio e fim

 
Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes



09 agosto 2010

Tenho frio...muito frio

Dos meus olhos vertem lágrimas congeladas
Produzidas diretamente pelo coração vazio
Pois tenho frio...muito frio na sua ausência
Que jamais nos uniu de forma encontrada

Minhas mãos inertes que acariciavam seu rosto
Estão reduzidas ao simples movimento do adeus
Como se náufragas em mar de imensidão aposto
Sem porto que nos pudesse receber em naus

E de repente essa nevasca plena que nos abate
No mais recôndito de nossos eus enregelados
Noite se faz pela total ausência de sol e de calor

E se nunca estivemos  juntos em corpos abraçados
Vivemos vergastados pela união  ideal do amor
Daquele tão sincero que nada pede nada espera

...nem frio...nem calor

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes


08 agosto 2010

Pais especiais


Ao meu pai – Lembro-me de um dia em que eu passeava desesperada o meu livro de botânica pelo gramado, tentando entender todos aqueles diagramas que demonstravam as mais diferentes gramíneas. E você, pai, sentado no seu banquinho especial de lazer, tirando as “tiriricas” da grama, me disse. O que foi! E eu lhe respondi que teria prova ao dia seguinte e não conseguia entender a matéria. E você, puxando com cuidado da terra, arrancou uma gramínea em que se vislumbrava, com clareza, todas as suas partes desde a raiz às folhas. Mais, ainda, você falou, filha muitas vezes olhamos tanto para frente que nos esquecemos de olhar para cima, para baixo, ou para os lados, e, assim, se torna muito difícil aprender. Pai, você se foi e eu aprendi a olhar para cima e vislumbrar você entre uma nuvem e outra ou entre um raiozinho de sol e outro e agradecer a Deus a felicidade que foi haver tido você por meu pai, permitindo-me a possibilidade de olhar para baixo e abaixar-me para reconhecer nos passos a beleza e a constituição do caminho e a olhar para os lados para saudar no outro o elo de sabedoria que soma a mim. Pai eu te amo eternamente.

Ao meu marido, que se fez pai em mim – Lembro-me da sua alegria contagiante ao nascimento de cada um dos nossos dois filhos e do amor que você revelava em tudo o que partilhava com eles, desde os “origamis”, que desde pequeninos eles aprenderam a fazer, traduzindo a sua imensa paciência e carinho inesquecíveis, como sintonia plena de vida. Lembro-me de você como Peter Pan, vibrando a cada festa de aniversário, de formatura, desde o pré até onde você conseguiu chegar, com cada um deles, antes da sua partida derradeira ao etéreo. Lembro-me, ainda com a mesma euforia, do seu companheirismo durante nossas vidas assim em elo, mais ainda durante a gravidez e depois a cada etapa de vida vencida com eles e por eles, nossos filhos. Ka eu te amo eternamente.

Ao meu amigo, pai assumido, pai leal, companheiro e repleto de amor, sábio na espera, atento a todos os sinais, alegre, aprendendo com o filho, buscando entender cada pedacinho do caminho e muitas vezes angustiado por não consegui-lo. Sua sinceridade, meu caro, é algo que nunca me esquecerei. Lembro-me de vê-lo num dos momentos difíceis da vida para o pequenino, quando se lhe foi a avó, vocês ali lado a lado, quietos, mas transmitindo todo o amor e a força pra vencer aquela primeira e tão expressiva ou reconhecida perda. Lembro muito mais e muito admiro você, amigo. Também te amo eternamente, porque amigos também dizem eu te amo.


Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

03 agosto 2010

Oração do reencontro


Preciso encontrar o centro do sentimento
Há muitos minutos da célula que me gestou
Envolvida estou na busca do epicentro
Do sol, da lua, das estrelas, do universo
Em lento movimento repleto de amor

Preciso encontrar o centro do movimento
Da vida latente plenamente presente
Em tudo que me tange a alma dormente
De repente sonâmbula e depois silente
Caminhando de olhos dados com o firmamento

Preciso encontrar o centro do meu norte
Pois lá residem as metas e ideais vagantes
Que reconstroem todos os meus pedaços
Costurados com a linha do horizonte
Retrocedendo rumos com meus pés descalços

Preciso encontrar o centro da minha paz
Para abraçar a noite e tresnoitar o dia iluminado
Sem  esse tormento, esse desejo saturado
Mal acabado num prisma desbotado
No vazio do encanto que seria eu e você

Preciso encontrar o centro do meu canto
Modulado em nova e simples melodia
E no reencontro cantar todo o encanto
Que será seguir daqui pra frente sem retorno
Indo diretamente ao meu próprio encontro


Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes