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11 março 2010

ANJOS EM COMPLÔ

Era eu nuvem calma em céu particular pintado eternamente de azul, quando o destino me trouxe você, da maneira mais estranha que poderia acontecer.

Como afinidade é complô organizado pelos anjos, eles todos se apoderaram de nós dois e nos fizeram extremante unidos em ser e ver e viver e fazer e acontecer.

Os dias seguiram como brisas tépidas e se fizeram em meses de tórrido calor disfarçado até o momento em que a sua mão tocou a minha em distraído sem querer.

Em fração de segundos a sua energia me alcançou a me acordar inteira, sendo que adormecida tão simplesmente quisera estar e me manter....

E as brisas tépidas foram varridas por um verdadeiro furacão de desejos trazidos pelo amor mais imenso e insano que você não pôde tomar e nem ter.

E no epicentro da vida, transformada em furacões repletos de luzes e cores, amores, desejos e paixões, somos, agora, dois elos perdidos, sem jamais estarem soltos de um tão grande bem querer.

E em tempos diferentes você vai enquanto eu venho e ao final...do desencontro...o telefone toca, eu atendo e digo "Alô" .... e “Alô” ouço você responder ....

E novamente eu nuvem calma em céu particular...semi adormecida...acordo bem devagar... pois, o fio do telefone nos une em carinho maior que afeto... desde sempre em querer.
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Desligado esse fio terra....eu me pergunto...cadê você?... e o furacão responde....se foi outra vez a voar...no seu jeito especial de ser.

E a cada dia espero o furacão se tornar brisa tépida em lugar do tórrido calor disfarçado, sem desligar o fio terra...tentando novo amanhecer.

E por não mais conseguir, assim decidi...agora...neste momento...vou pintar um céu igual ao meu pra você....e quem sabe dele você então possa me ver...como sua rosa...a reviver...

E , no complô de anjos, Saint Exupéry feliz, por certo, haverá de renascer...

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Nota: Antoine de Saint-Exupéry
Antoine-Jean-Baptiste-Marie-Roger Foscolombe de Saint-Exupéry filho do conde e condessa de Foscolombe (29 de junho de 1900, Lyon - 31 de julho de 1944) foi escritor, ilustrador e piloto da Segunda Guerra Mundial. Escreveu, entre tantos, o livro "O Pequeno Príncipe", em que o pensamento assim expresso: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas", tornou-se mundialmente conhecido e reconhecido.
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Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
20/03/2010

09 março 2010

CARTA AO MEU PETER PAN SEM CELULAR


Estava outro dia a navegar pela internete da alma, quando me deparei com uma mensagem da Fada Sininho....a tilintar.

Voltei-me criança e respondi-lhe imediatamente... afinal ela sempre foi parte importante de mim... e como fada ela me disse que estava ansiosa pra trabalhar com a magia dos sonhos, queixando-se que as crianças crescem rápido demais e somente para a televisão e o computador querem olhar.

Contei-lhe sobre meus planos de minha oficina de poesias reformar.

Ela me disse, então, que com a sua ajuda eu poderia contar.

Pedi-lhe então que me trouxesse um lindo cesto de cores pra oficina decorar.

Ela o trouxe e o veio entregar.

As cores eram tão lindas que vocês, como adultos, nem podem imaginar.

Havia cor de raízes profundas de árvores eternas...de musgos relíquias e líquens das florestas lendárias entre o espaço do céu e da terra... cores de bromélias...Meu Deus!... da rosa do pequeno Príncipe... das tintas usadas por Gepeto... da bota do Gato de Botas... da cor do cabelo da Rapunzel... e da transparência do castelo de cristal... de orquídeas um tantão... do fundo do mar...e aí ela me disse que ficou assustada pois escutou o despertador do Capitão Gancho...cores do céu...do sol...das estrelas e do luar.

Juntas então, após pintarmos a oficina, com todas essas cores especiais, decidimos procurar a Wendy, para saber de você Peter Pan, e ela já tão velhinha, pobrezinha, não se lembrava do seu endereço e numa confusão brutal entre o ser e a fantasia, me respondeu que você não tinha telefone celular.

Fomos então atrás dos meninos perdidos e soubemos quanto cresceram...mas não o pudemos ver ...pois se encontram, todos, em postos executivos... e por isso haviam se mudado para a Terra do Sempre... sem nenhuma notícia a mandar.

O Capitão Gancho, esse sim prosperou e anda pelo mundo inteiro, a cata de você, sôfrego para roubar o seu principal segredo de força, coragem e galhardia, que na verdade é a sua alegria, a todos e a tudo a contagiar.

E aí meu querido Peter Pan, estamos apenas eu e a Sininho, ainda em seu belo tilintar, na tão linda oficina de poesias...repleta de cores, sonhos, poemas e amores...escrevendo todo dia...juntas a lhe esperar...

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Nota: Baseado na belíssima coletânea de histórias infantis, do autor J. M. Barrie, sobre os personagens Peter Pan, Wendy, os meninos perdidos, Sininho, o Capitão Gancho e a Terra do Nunca.
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Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
09/03/2010

05 março 2010

AVENTURAS E AKELÁ


Contando não acreditarás, mas lhes direi que foi exatamente assim...

Uma grande amiga “chamada” Akelá. Vocês sabem quem é Akelá?

Ente mágico que, no escotismo, significa o Grande Lobo, chefe da Alcatéia. Se quiserem saber mais terão que ir buscar.

E foi assim que sem medo começamos a trilhar. Trilhas de fato, verdadeiras, tanto aqui como acolá.

Em Juquitiba, que lindo! Chegamos a um lugar em que não havia mais chão pra se pisar.

O jeito foi mesmo o rio e com cadeira de rodas e um fabuloso guia, por ali fomos passear.

E num pedaço, no entanto, daquele caminho aquoso, um tronco caído a se esparramar!

- Passa por baixo do tronco...

- Segurem a cadeira, senão vou boiar...

E de repente, chegamos ao patamar da beleza escondida, na natureza perdida, ali a nos esperar.

Água feito um espelho, flores por todo o lugar, paz, pássaros a trinar e o frio da água passou a ser refresco da alma, em lembrança que a íris se recusa a apagar.

Foi uma das lindas aventuras de outras que ainda irei contar.

Não barra a criatura seus pés não poderem andar se outros lhe souberem como e onde os seus próprios pés lhe emprestar.

Criado e postado por Márcia Vilarinho Lopes
Março/2010

ESTAÇÕES DA VIDA


Ventos de minh'alma
Que me levam além.
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Ventos de minhas lembranças
Que me mantêm.
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Ventos em sopros de bonança
Que advêm.
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Ventos
Sementes
Transcendentes
Flores
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Estações da Vida
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Trem...
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Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Em 04/03/2010

03 março 2010

MINÚSCULO FELIZ ESPAÇO DE TEMPO

Anoitecia em espaços minúsculos de tempo....há muitos anos.

Na varanda frente a imenso jardim, em que as madressilvas predominavam, um pássaro chorava o finalizar do dia em triste melodia.

As luzes das casas se acendiam e as das ruas, ao longe, lembravam faróis, daqueles que sinalizam os navegantes.

Um forte estalar de chinelas se fazia ouvir de aqui para lá, anunciando o peso de quem delas se servia.

Ao seu lado uma criança, em correria junto a um cãozinho malhado, como se figuras de revista, tão lindos formados em par...de cores e alegria.

Ao longe, bem ao longe, um vulto se distinguindo das demais pessoas toma a direção da casa, abrindo delicadamente o portão, vestida em tom de madressilvas, um belo rosto de mulher jovem, de aparência amorosa, determinada e meiga.

Correm a criança e o cão e nos seus braços, recurvada, encontram guarida.

As chinelas sossegam e se fazem imperceptíveis sinalizando paz e calmaria a um coração até então aflito.

Da cozinha um delicioso aroma se esparrama pela vizinhança...e a fome se faz presente e cria água na boca...por algo que só faz presumir delícias...

Normal a vida, normal o dia, normal o amor, paz, tranqüilidade e o alimento a ser servido.

Lembranças de minha mãe e de minha avó...em palácio quimera que nunca mais encontrarei eu....senão no retroagir da ampulheta do tempo...a marcar e remarcar boas lembranças.

Saudade....

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Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
02/03/2010

01 março 2010

TIMONEIROS DO AMOR


Estamos no último trecho de uma época, de uma era, ou de uma reencarnação sem nos permitirmos calar o amor, a alegria, a emoção, metas e nossos corações, livres de mágoas e dores que o tempo levou com o vento, na aragem última que soprou.

Novos mares, novos tempos de calmaria e paz, em águas tépidas e límpidas, refletindo a luz em todas as cores de força dos plexos corporais em extensão aos plexos universais.

O céu está vestido de ouro sobre azul e as estrelas, à noite, enfeitam o firmamento dançando com os raios de luz que enfeixam o luar.

E como timoneiros de um sentimento comum paramos os motores, respiramos o silêncio, no encontro do encanto da magia em mais um novo alvorecer do amor.

Sem dúvida quanto à rota, sem dúvida quanto ao sonho, de almas dadas, olhando para a mesma direção este se fez o momento de um presente comum, arquitetado, plasmado e esperado na quietude dos momentos de um tempo que se confirmou.

Assim, em suavidade, nossos corpos na recíproca do acalentar e acalantar, na calma da descoberta, na suavidade da carícia do êxtase primeiro até o êxtase total...
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Criado e postado por
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Em 01-03-2010

27 fevereiro 2010

O SABIÁ LARANJEIRA E O BRASIL


Nascia o dia...em parto normal, no território do Brasil.

O sabiá laranjeira, ao pé da rua, em pleno alvorecer, como símbolo das terras sagradas em verde e amarelo, entoou seu primeiro canto do dia, como se flauta...só não sabia se era o seu canto próprio...ou se seu próprio canto se fazia em Hino Nacional.

Não nos esqueçamos que o sabiá canta, em magia, ao alvorecer e ao por do dia...

Abri o jornal. Estanquei...com a situação de Brasília. Na seqüência, engasguei-me com o próprio ar ao ler sobre a visita do Presidente a Cuba, desculpando-se pela morte de Zapata, faltando-lhe, na foto de jornal, uma bacia dourada e uma toalha alva para lavar as mãos, mesmo assim, subjetivamente as plasmou, ao dizer: “Eu não recebi nenhuma carta. As pessoas precisam parar com o hábito de fazerem carta, guardarem para si e depois dizerem que mandaram para os outros. Se essas pessoas tivessem falado comigo antes, teria pedido para parar e eu, quem sabe, teria evitado que eles morressem, de forma que eu lamento que uma pessoa se deixe morrer por uma greve de fome”.

Todos os países, sob o autêntico manto da democracia, protestaram pela ausência de respeito aos direitos humanos em Cuba, pedindo a libertação dos presos políticos naquela ilha...nenhuma só palavra...nesse sentido, do nosso representante...em nome do povo brasileiro...o que, de per si, representa indício de profundo desrespeito ao mandato que lhe outorgamos.

Os cubanos, que por aqueles direitos lutam, haviam referido se encontrarem com o Presidente e, este, atribuiu, de forma absurda, ao próprio Zapata a responsabilidade por sua morte, em atitude grotesca...dizendo que o líder se deixou morrer por uma greve de fome, como se no fato não houvesse resquício político algum de luta pela dignidade humana, no ato que o levou à morte.

Conforme consta da imprensa nacional, houve abstenção de qualquer posicionamento, do nosso país, quanto ao pedido do grupo de presos políticos cubanos, quando se entende, sim, dever da diplomacia brasileira haver promovido um encontro entre o nosso Chefe de Estado e os nobilíssimos dissidentes cubanos.

Reanimada do engasgo, tive a sensação de sentir sob meus pés, insensíveis, pré-anúncio de grande terremoto, tão abismada me pareceu a falta de representatividade brasileira, por nosso porta voz maior, perante o abominável fato, que se revela perigoso, reitero, pela projeção que encarta o comportamento do Presidente, se especializando cada vez mais em ser detentor do poder, pelo poder.

Alguém precisaria lhe dizer que poder representa a capacidade de realizar, e realizar no caso do Chefe de Estado Brasileiro, é garantir e defender os princípios democráticos para os quais lhe investiu o povo brasileiro, em qualquer lugar em que se encontre em função do cargo que detém em conseqüência apenas de mandato eleitoral a ele concedido pela maioria do povo brasileiro e só por isso está ele encarregado de nos representar, ficando o seu unilateralismo e pessoalismo relegados apenas a sua vida particular, se assim o quiser.

E mais, tarde ao alvorecer, refletindo, ainda, sobre o quanto estamos, todos, dormitando à sombra das alvissareiras, e falsas, notícias de progresso nacional...subtendendo que se saiba o que é progresso nacional... pedi ao Comandante Maior do Universo, que permita um despertar à consciência deste amado povo, para mais um ano eleitoral...e, só então, percebi que o sabiá laranjeira não cantou, como de costume ao entardecer.

Pareceu-me, assim, que nem mesmo o sabiá se conformou e entristecido mudo ficou, talvez em protesto, talvez impossibilitado por qualquer outro tipo de engasgo...até por alpiste talvez...

Faltou-nos, pois, o seu sonoro canto...que continuo sem saber se não será o hino nacional do país... de que ele como pássaro é símbolo e representa.

Acorda Brasil...canta sabiá...faça-se poesia, do dia a dia, a letra do nosso Hino Nacional..praticando-a...senão vejamos:

(...)

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas.
De um povo heróico o brado retumbante.
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos.
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade.
Conseguimos conquistar com braço forte.
Em teu seio, ó Liberdade.
Desafia o nosso peito a própria morte!

(...)

Criado e postado por
Márcia Vilarinho
27/02/2010

26 fevereiro 2010

Vulto oculto


Escondido na penumbra
Pra ver se ninguém o vê
A tecer seus vaticínios
Todos feitos com ardor
Cercando se de vultos outros
Que não o conhecem bem
Faz se o vulto conhecido
Por quem de longe bem o vê
Vai, vai, derramando poeira
De uma nuvem passageira
Que sobre seus ombros
Não demora choverá


Pobre alma atormentada
Doente asfixiada
De solidariedade e amor
Deixa em paz quem quieto está
Pare de atroiçoar
Com seu gesto sorrateiro
Projetando cá e lá
Esse tão triste estribeiro
Olhe seus olhos pra ti
Olhe seus olhos pros teus
Olhe quão grande o mar
E vê se aprende a amar
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Criado e postado por Márcia Vilarinho
25/02/2010

21 fevereiro 2010

Boneca de pano

Sentada num canto, tal qual boneca de pano, vislumbrei o céu, plenamente azul, acomodada num tapete voador escondido em minha mala.

Na estação das águas claras, as pessoas circulavam em uníssonas gargalhadas de alegria, algumas dentro da água, outras ao sol.

Em poucas pessoas, meus olhos acostumados ao brilho do nascer de cada dia, conseguiram perceber algumas gotas de amor.

E o sol, causticante, aquecendo intensamente o meu corpo se fez também clamor de alma que num pequeno e desvalido brado disse adeus.

No trem da vida, vários passageiros sobem e descem, alguns permanecem, outros se vão...não apenas durante a viagem...mas, sobretudo, do nosso coração.

E a boneca de pano em seu vestido de chita esquecida ali num canto ainda faz da vida um mágico eterno encanto.

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Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
21/02/2010