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11 agosto 2010

Sou deserto...meio e fim


Sou deserto...meio e fim
Sem oásis
Sem transporte
Em chinelas
Sem palácios ou quimera
Sou deserto, meio e fim

Na vastidão de areia
Que fere os olhos
No clarão da aurora
Eu me perco assim
Tórrida sem meio ou fim

No calor que abrasa
Que derrete a neve
Nos contrários pólos
Minhas calotas de mundo
Contraditórias em meio e fim

E sigo buscando
Um não sei que, pra que, aonde
Até encontrar a catacumba
Ou a tenda do sheik mais bonito
Sigo entre meio e fim

 
Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes



09 agosto 2010

Tenho frio...muito frio

Dos meus olhos vertem lágrimas congeladas
Produzidas diretamente pelo coração vazio
Pois tenho frio...muito frio na sua ausência
Que jamais nos uniu de forma encontrada

Minhas mãos inertes que acariciavam seu rosto
Estão reduzidas ao simples movimento do adeus
Como se náufragas em mar de imensidão aposto
Sem porto que nos pudesse receber em naus

E de repente essa nevasca plena que nos abate
No mais recôndito de nossos eus enregelados
Noite se faz pela total ausência de sol e de calor

E se nunca estivemos  juntos em corpos abraçados
Vivemos vergastados pela união  ideal do amor
Daquele tão sincero que nada pede nada espera

...nem frio...nem calor

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes


08 agosto 2010

Pais especiais


Ao meu pai – Lembro-me de um dia em que eu passeava desesperada o meu livro de botânica pelo gramado, tentando entender todos aqueles diagramas que demonstravam as mais diferentes gramíneas. E você, pai, sentado no seu banquinho especial de lazer, tirando as “tiriricas” da grama, me disse. O que foi! E eu lhe respondi que teria prova ao dia seguinte e não conseguia entender a matéria. E você, puxando com cuidado da terra, arrancou uma gramínea em que se vislumbrava, com clareza, todas as suas partes desde a raiz às folhas. Mais, ainda, você falou, filha muitas vezes olhamos tanto para frente que nos esquecemos de olhar para cima, para baixo, ou para os lados, e, assim, se torna muito difícil aprender. Pai, você se foi e eu aprendi a olhar para cima e vislumbrar você entre uma nuvem e outra ou entre um raiozinho de sol e outro e agradecer a Deus a felicidade que foi haver tido você por meu pai, permitindo-me a possibilidade de olhar para baixo e abaixar-me para reconhecer nos passos a beleza e a constituição do caminho e a olhar para os lados para saudar no outro o elo de sabedoria que soma a mim. Pai eu te amo eternamente.

Ao meu marido, que se fez pai em mim – Lembro-me da sua alegria contagiante ao nascimento de cada um dos nossos dois filhos e do amor que você revelava em tudo o que partilhava com eles, desde os “origamis”, que desde pequeninos eles aprenderam a fazer, traduzindo a sua imensa paciência e carinho inesquecíveis, como sintonia plena de vida. Lembro-me de você como Peter Pan, vibrando a cada festa de aniversário, de formatura, desde o pré até onde você conseguiu chegar, com cada um deles, antes da sua partida derradeira ao etéreo. Lembro-me, ainda com a mesma euforia, do seu companheirismo durante nossas vidas assim em elo, mais ainda durante a gravidez e depois a cada etapa de vida vencida com eles e por eles, nossos filhos. Ka eu te amo eternamente.

Ao meu amigo, pai assumido, pai leal, companheiro e repleto de amor, sábio na espera, atento a todos os sinais, alegre, aprendendo com o filho, buscando entender cada pedacinho do caminho e muitas vezes angustiado por não consegui-lo. Sua sinceridade, meu caro, é algo que nunca me esquecerei. Lembro-me de vê-lo num dos momentos difíceis da vida para o pequenino, quando se lhe foi a avó, vocês ali lado a lado, quietos, mas transmitindo todo o amor e a força pra vencer aquela primeira e tão expressiva ou reconhecida perda. Lembro muito mais e muito admiro você, amigo. Também te amo eternamente, porque amigos também dizem eu te amo.


Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

03 agosto 2010

Oração do reencontro


Preciso encontrar o centro do sentimento
Há muitos minutos da célula que me gestou
Envolvida estou na busca do epicentro
Do sol, da lua, das estrelas, do universo
Em lento movimento repleto de amor

Preciso encontrar o centro do movimento
Da vida latente plenamente presente
Em tudo que me tange a alma dormente
De repente sonâmbula e depois silente
Caminhando de olhos dados com o firmamento

Preciso encontrar o centro do meu norte
Pois lá residem as metas e ideais vagantes
Que reconstroem todos os meus pedaços
Costurados com a linha do horizonte
Retrocedendo rumos com meus pés descalços

Preciso encontrar o centro da minha paz
Para abraçar a noite e tresnoitar o dia iluminado
Sem  esse tormento, esse desejo saturado
Mal acabado num prisma desbotado
No vazio do encanto que seria eu e você

Preciso encontrar o centro do meu canto
Modulado em nova e simples melodia
E no reencontro cantar todo o encanto
Que será seguir daqui pra frente sem retorno
Indo diretamente ao meu próprio encontro


Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

30 julho 2010

Choro represado


Destrói-se o dique afinal
Rasga o grito
Calado e mal murmurado
Todos estes anos enfim
No pranto que não chorei
Na força que resgatei
Em cada fibra de amor
Nos meus momentos de dor
Teu rosto pálido sem cor
Teus cabelos negros
Tão cansados
Teus olhos cerrados
Bonito, tão bonito, ainda
No teu traje de passear
Tua vaidade simplista
Teu bom gosto natural
Não mais sorrisos
Não mais chistes
Nem abraços, com calor
Nem beijos tão desejados
Nem corpos em cobertor
Na união do desejo
Na realização do amor
O frio do inverno te agasalha
O fogo do inferno me mata
Na saudade dolorida
Maior que toda minha vida
Dos momentos
Companheiros
E da minha garganta cerrada
Do meu sentimento trancado
No dique arrebentado
Nas lágrimas que te banham
O meu grito ecoa além

Volta!


Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

26 julho 2010

Muralhas internas


As brisas deslocam fatos
Do ontem que chegam ao hoje
Em forma de ventania
Pedaços de sentimentos
Bordados dentro de mim
São dunas em plenas praias
Na minh’alma agitada
Sem porto e sem nem um cais
São feitas de grãos de areia
Que somados geram milhas
Sem visão por escotilhas
Desse teu medo dolente
Desse teu ser simplesmente
Amigo tão sem abrigo
Amigo órfão de amor
Sem choupana nem sapé
E hoje não reconheço
Nem teu verso nem tua fala
Porque a amargura cala
A minha decepção e dor
Recolhe-te como feto
Embrião posto em muralhas
No útero do desamor
Deserto do meu calor
Que nas noites e nos dias
De solidão tão presente
Ao teu redor firmemente
Era teu lume e teu cetro
Pondo-te como um rei
E esse lume apagado
Assim por ti descuidado
Fez que de forma latente
Sumisses dentro de mim
E o teu eco longínquo
Em tuas próprias muralhas
Será sempre tua fala
Voltada somente a ti

.......

Dunas em vendaval


Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes





24 julho 2010

Para Genaura Tormim


PARA MINHA AMIGA GENAURA TORMIN
PELO FALECIMENTO DE SUA IRMÃ
 GRAÇA

Na força da emoção
E da convicção
Que a estrada afora se alarga
Repleta de luz e cores
Toda multicores
Pra que prossiga sua irmã
Em arco íris bendito
Rumo ao por do sol do infinito
Acompanhada por um séqüito amigo
Em muito boa direção
E lá no alto do topo
Nos píncaros do Universo
Que a receba
No agasalho do abraço
Com um sorriso bem bonito
Na paz e vitória do amor
O nosso tão querido Criador
E assim, eu que por telefone ou net
Não te consigo alcançar
Penduro me na poesia
Pra poder te abraçar
Conte comigo amiga
Pra esse triste trinar
No gorgeio da saudade
Nas asas que já podem voar.
Beijos
Sua amiga
Márcia Vilarinho


Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

18 julho 2010

Liberdade de ser


Não mais passarão ao largo
Os momentos lindos fincados na retina
Os sentimentos escritos em mim
As vivências, em cada minuto, assim
As alegrias e as cores que me enlaçam
Num abraço nu
Sem mascaramento
Sem sombras
Sem dúvidas
Sem tormentos
Não, não me passarão
Nem me tomarão
A vontade livre de ser
Amor refletido e reflexo
Em cada célula
Traduzido em DNA
Nem, os sonhos
Nem o mar
Nem o universo
Nem a minha totalidade
Em meu mais íntimo eu
Pois tudo isso me pertence
Porque sou parte como verso
Da poesia maior chamada vida
Não, não me tomarão
A palavra ou a escrita
A sinceridade pra descrever
O canto sonoro da poeta
Da mulher
Que se agita em asas de vôo
E revoa em seu próprio palpitar
Não, não me tirarão
A loucura de ser eternamente sã
Eternamente verdadeira
Eternamente tua

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes




15 julho 2010

Ora pro nóbis, Senhor



Das crianças abandonadas
E de todos mais
Que assim estão
No frio que mata
Nas calçadas
Vestidos de jornais
Manchetes de jornais
Meninos e meninas
Abandonados
Cansados
Desumanizados
Em dores
Em poucos risos
Às vezes contentes
Com o pouco de nada
Que têm
Na espera
De um socorro
De um alento
Sem tormento
Como gente sã
Ora pro nóbis Senhor
Senhor que passa
E senhora também
E menina que vai
E menina que vem
Quantos corações apertados
Tristes e encharcados
Desse frio de dentro
De cada pessoa morta
Pro seu irmão
Que morre no frio
Que vem de fora
Faminto
Sedento
Sem nada
Sem ninguém
Descalço no chão
Nas calçadas
Nas sarjetas
Em meio
A outro tipo de população
Olha bem, olha bem!
Nos olhos!
Esses também são irmãos
Acordem mandantes
E mandados também
Acordem prum mundo
Tão triste
E não tão além
E aí
Ora pro nóbis Senhor
E senhor
E senhora também
Estão reclamando
De quem?
Por quem?
Se tão aquém...estão
Eles não têm depressão


Criado e postado por Márcia Fernandes VIlarinho Lopes