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01 junho 2011

Rotas da Criação - II

O Olimpo em ensinamentos
Valores e pensamentos
Uma boneca de macela que fala
Consciência do escritor se exala
Um óleo sobre tela que persiste belo
Conjunção e expressão em paralelo
Uma peça de teatro célebre
Cuja fama corre célere
Um espetáculo de dança eletrizante
Marcante
Uma orquestra desde os Alpes para o mundo
Sentimento sonoro e profundo
Uma Atlântida perdida no Universo
Sem reverso
Os Incas e os Maias reinventados
Instados
A lua sendo alcançada
Por cientistas poetas
O sol nos alcançando
Energizando
As quatro estações do ano
Verdadeiro plano
Não de Vivaldi, mas de Deus
Nos torna arte feita também

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

27 maio 2011

Dueto....Renato e Márcia em: Tua Simples Presença


Fecho bem apertados//Com medo de não te encontrar
Meus olhos vermelhos e molhados//Embaçando a visão do caminho
Lacrimejados e perdidos//Sem vislumbrar direção
E vejo a tua face distante//Quando a queria junto à minha face tão próxima
Quase errante//Orvalhada por lágrimas quentes
Declino chamados gemidos//Pungentes
Mais do que sofridos//Dolorosamente doídos
Tentando num último golpe//Buscando um anestésico dolente
Acertar teu destino//Querendo você junto a mim
Ao lado da tua face//Todo o meu eu
O meu rosto//Feito sorriso já seco
Com o semblante cansado//Como areia do deserto
De tanto voar//Sem encontrar o oásis
Por dentro das nuvens//Sem encontrar as moradas
Carregadas de espera//Onde possamos estar
Essa constante exemplar//Na ânsia de perpassar o tempo e voar
Que não me larga//Porque jamais larguei você
E sonho enquanto isso//Que o etéro me abrace leve
Com o dia em que abrirei//Sendo chave que liberta
Meus olhos adormecidos//Enxergando pelo avesso
E te verei chegando//Mais que isso  estarei
Caminhando em minha direção//E permanecerei no abraço
Com teu sorriso encantador//Me farei iluminada
Teu jeito suspeito//Me fará reanimada
De me dizer que me ama//E eu sentir esse amor
E com tua sede de saciar//E em cada célula brotar
A minha fome de te amar//Carente infinitamente
E o meu vôo termina//Sou agora uma asa só
Minhas lágrimas secam//Engolidas pelos poros
E minha face se ilumina//Na esperança de você
Com a tua simples presença//Na lembrança do meu ser
Que me alucina//E me toma
Venha, sente-se aqui ao meu lado//Ou melhor deixe me acolhida em teu colo
E conte-me tuas histórias//Aquelas que só você sabe contar
Teus contos de fadas//Tuas aventuras infantis
Dê-me teu beijo mágico//Que me impregnou para sempre
E misture teu suor ao meu//Sempre e sempre
Até cairmos exaustos//Ligados por sensações
Com os olhos fechados//Em plena visão um do outro
E o coração palpitante//Batendo a esperança da vida
E sorrindo//Nessa antecipação do viver...juntos num mesmo plano...outra vez


Renato Baptista // Márcia Vilarinho

Quando a saudade brota, das perdas que se perdeu, dos amores separados, pelos planetas além, a alma fala em dueto muito bem sintonizado, por poetas que essa mesma dor vivenciaram e transformaram no encontro do encanto, a cada momento, como se a distância do etéreo não existisse jamais.

Agradeço, assim, ao meu amigo Renato Baptista essa especial partilha, em dueto. 

19 maio 2011

Amor eterno, sedução sem fim


Surge assim
O amor eterno
Alquimia
Do perfume
Transparente
Em que és a essência
Principal
Inebriante
Inextinguível
Perpétua
Posta em mim
Nos respiros dos meu ais
Nos poros da minh’alma
Na roupagem desta vida
Nas vestimentas do além
Em todo tempo
Flagrante
Amor eterno
Sedução sem fim

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

14 maio 2011

A sentença

Andou trôpego
Subiu as escadas
Apoiado ao corrimão
Agarrando o tempo
Como se fosse um bastão
Chegou lívido
O rosto cansado
De esperança
Os lábios descorados
Os olhos ofegantes
Bêbados de ilusão
Olhou ao redor
Cabisbaixo
Como se visse tudo
Por um espelho
Cabelos desgrenhados
Mãos crispadas
Coração em fogueira
Alma em geleira
Seu nome
Anunciado
Entrou na sala
E um outro homem
Juiz autorizado
Olhou-o
Não o viu
E julgou-o
Culpado...

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

10 maio 2011

Escrevo nas pedras


Escrevo nas pedras a história da minha vida, com caneta em ponta de lonsdaleite, tal qual a vida insculpiu em meu corpo as marcas do caminhar (Márcia Vilarinho).


De acordo com o site Discovery News, a lonsdaleite é matéria fabricada pela própria natureza. A lonsdaleite, feita de carbono é muito parecida com o diamante. É produzida através da colisão de asteróides e chega a ser 58% mais resistente que o diamante.



Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

06 maio 2011

De repente

De repente
Não mais que de repente
Eu queria o tanque de roupas
O quarador e o varal
E depois a roupa cheirando a sol
Sem amaciantes sem nada
Sabão de pedra
Feito no quintal
Anil comprado na esquina
E o ferro que pesava tanto
Pronto pra desamassar
As rugas do algodão
Por que sintético
Não tinha não
Sabonetes guardados
Em todas as gavetas
Sachês pendurados
Entre os cabides
Do velho guarda roupas
O rádio em melodia
A gente em sintonia
Sintonia maior de amor
Lá fora
Flores se abrindo
Em todos os nossos jardins
E na cozinha
O perfume da comida
Feita com tanto esmero
E cuidado....e sabor
Com gosto de quero mais
E chegando da escola
O destampar das panelas
E a surpresa e a espera
Sempre e cada vez maior
A família reunida à mesa
E minha mãe em tudo ao redor

De repente
Não mais que de repente
Agora...


Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Em homenagem a minha mãe Ortência Fernandes Peres, em seus 90 anos de idade

04 maio 2011

Trigueiro Trigal


Vaguei vestida de amor
Em transparentes vestes
Feitas de inteiros de mim
No abraço que te enlaçou
No alimento que energizou
No teu beijo gosto a mel

Vaguei vestida de mar
Oceano que esparrama
Ondas que correm enfim
E se arrebentam nas pedras
Nas pedras seichos rolantes
Que em mar eu fiz assim

Vaguei nua vestida de ti
Pele a pele poro a poro
Olhos fincados na alma
Pra toda a vida infinita
Coração ribombando alto
Música latente enfim

E nos campos do Poeta
Fui orgasmo do luar
E contundente acordei
Com a força do sol em mim
E nesse encontro frugal
Fiz-te trigueiro trigal


Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

27 abril 2011

Arlete Laranja - Homenagem

Educadora
Mulher
Que se fez bela
E em tudo ao seu redor
Criou beleza
Em estilo de solidez
Capacidade
Progresso
Em tudo que realizou
Arlete Laranja
Colégio Augusto Laranja
Que você idealizou
E lá onde tantos outros
Meu filho estudou
E quando meu marido se foi
A caminho do além
Com sua lição terminada
Sua missão realizada
Você, querida Arlete
Fêz-se mais que a diretora
Que a educadora
Fêz-se amiga e companheira
Ao lado do aluno seu
Compreensiva e dedicada
E lá meu filho se formou
Não como um número certo
Não como alguém incerto
E sim como um nome
Como um ser uno
Individualizado
Inserido num grupo
De seres visíveis
Em suas especificidades
Convidados sempre
À soma
Essa a sua grande arte
De reunir sem se esquecer
Da parte
À sombra das suas copas
Da sua sensibilidade
Raiz de profundo porte
E ao me ver mãe e viúva
Numa cadeira que roda
Arlete Laranja
Pela sua solidariedade
Pela sua capacidade
De amor
Você fez morada
Em nossos corações
E em nossas vidas
Para sempre
E se hoje você parte
Rumo ao outro lado da vida
Além de você fica
A sua dedicação
O seu imenso carinho
A todos os alunos
Que você Arlete
Tanto amou
E que hoje com certeza
No coração fazem guarida
De tudo o que você cativou
De tudo que você criou


Não lhe dizemos adeus
Nós lhe dizemos até um dia companheira
E obrigada por uma vida inteira
Plantando sabedoria

Alô... Arlete...Aqui quem fala é a mãe do Tiago Jordão

25 abril 2011

Meu canto de alegria (em homenagem a todos os poetas companheiros da Casa da Poesia)


Literalmente voei
Nas asas do avião
Mochila nas costas
Presas em alças
Na minha cadeira
De tantas rodas
Que enfim singrou
Os ares do meu respiro
Os ares do teu amor
Sobrevoando o medo
Vencendo com todo apoio
De uma áerea compania
Na voragem do viver
O ir e vir
O chegar, o ser e o ter
A coragem de aportar
Com próprias asas singelas
.
Literalmente voei
Nas asas da alegria
Na liberdade tardia
Que desatou os meus nós
Nas cordas vocais
Abertas
Libertas
No canto de uma nota só
Como se fosse a graúna
Dublando a sabiá
Trinados do rouxinol
Somados ao bem te vi
Na canção fora do exílio
No canto do colibri
No universo tamanho
Sementes de sementeiras
Que na verdade colhi
.
Literalmente voei
Nessa idade nova que chega
E apaga a chaga
Em anos de amor e pranto
De regorjeio
Recato e recanto
Aprendizado tão só
Na querença do viver
Na morte da desesperança
Na vida do etéreo ser
O sumo da vida sorvi
E então sobrevivi
Na esperança e na fé
Na carícia das asas
De vários e tantos anjos
Que assim eu conheci
E também reconheci
.
Literalmente voei
Nos raios de sol
No brilho da lua
No reflexo do mar
Na vida pura poesia
Escrita da alma
Que ama e se inflama
Na linguagem dos sentimentos
Que não se calam jamais
Nas células tão iguais
Do seres, das flores
Da natureza, reais
De sonhos e ideais
Nos beijos feitos do pólen
No abraço feito do nácar
Das borboletas
Em multicores no ar
.
Literalmente voei
Enalteci e cresci
Criei rimas, fiz-me versos
Em fênix que fui, sou e serei
E que, assim, vista por tantos
Em soma de acalantos
Fizeram-me mais poeta
Ao me dedicarem um ano
Em dias de alegria tamanha
No amor amizade encanto
Enlaçados em poesia
Amigos e companheiros
Com quem divido esse prêmio
Feito de eterno canto tão terno
Nesse nosso mesmo nome
Igual, pleno em sentido idêntico
Escrito tão somente “Poeta”
.
Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes