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26 setembro 2012

Desafio meu

Minha tela imaginária
Plasmada
Em nuance universal
Criada
Volátil e virtual
Emoldurada
Semi completa
Seleta
Em que apenas
Vestida de noite
Falto eu
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

09 agosto 2012

A rosa....

De repente
Não mais que no repente
Em meio ao trânsito tresloucado
Extremamente emburricado
Mudei a direção
Em busca de um lugar do passado
Cheguei como se outrora fosse
E o outrora se fez presente
De maneira tão latente
E com a ajuda necessária
Cheguei à nossa área
Nosso cantinho especial
Nossa mesa
Madeira tosca
Canto sagrado
Que até hoje canto eu
E ali acomodada
Pedi o de sempre
Meu pensamento rodopiou
Dançou
Viveu
Reconheceu
Girou
E ali fiquei
Saboreando lembranças
Os minutos contando histórias
De cada momento
Sem lamento
Vivendo o antes
Agora ao depois
Como o avesso do avesso
Que se repõe
E de repente
Não mais que no repente
Uma entrega especial
Uma rosa
Cor vermelha
Fixada para sempre
Na alma que acalentou
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

07 julho 2012

Reencanto

Num canto qualquer do meu coração
Você se acomodou e adormeceu
E foram tantos dias mornos
Sem tempestades de verão
Que me acostumei ao inverno
Aquecida pelas lembranças
Do teu eu
.
Num canto qualquer da minha vida
Você ficará como quem esqueceu
De ser o que sempre foi
Ou o que era
Pra abdicar de ser o que será
E o tempo...... passará
Carregando seu apogeu
---------
Sementes do amanhã?
Somente as que possam brotar
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

27 junho 2012

Sou livre...sei que sou


Hoje vislumbrei-me
Liberdade
Em mim esparramada
Como sementes brotadas
Em terra preparada
Porque somos livres
Ainda que no cárcere
Das emoções
Ainda que sob legislação
Ainda que sob o relho
Dos desmandos
Somos livres
Quando tomamos a direção
Dos nossos pensamentos
Livres pensamentos
E os realizamos
Criando nossos próprios caminhos
Trilhas abertas em qualquer rincão
Sou livre
Sei que sou
Na desobediência à contenção
Ainda que aquebrantada
Ainda que amordaçada
Ainda que condicionada
Ao uso de uma cadeira...que roda
Para o desespero de muitos
O aplauso de outros
E a minha auto aceitação
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

05 junho 2012

Minha caixinha das emoções contidas

A suavidade da canção
Invadiu o ambiente
Restrito
E restritivamente
Me ative tão somente
À partitura da vida
Que se inicia pela nota
E em meus pensamentos
Mitigaram lembranças
ceis de brotar
No coração em sol
Latejando brilho
Sinalizando a ária
Das emoções tão só
Concentrei-me tão somente
Na via de mão dupla
Tão evidente
À minha frente
Por ela seguindo
Até o ponto de partida
Sem chegada
E sem parada
Assim perdida
Em milesimal momento
Num labirinto
Chamado nó
Sem reconhecer paisagem
E sem retroceder caminhos
Fomos embora...
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

04 junho 2012

Como é gostoso gostar de você



 
Como é gostoso gostar de você
Quando saímos a esmo
Como crianças em férias
Parando numa mesa de madeira
Num atalho ao fim da estrada
E de repente surpresa
Você retira do carro
Uma cestinha de vime
E dentro dela
Tudo o que mais gosto
Recheada de carinho
 E no meio escondidinho
Não acredito......
Uma caixinha com...
Mandiopã
Fazendo da hora
O recreio
E a infância me abraça
No abraço do seu olhar
E você marca a semana
Tanto que hoje estou a pensar
Como é gostoso gostar de você
Que faz de conta que encontra
Um lugar encantador
Que você com muito esmero
Escolheu...guardou...premeditou
Como se fosse ao acaso
E assim vamos contentes
De canto em canto
Até o sol adormecer
E o dia entardecer
Fazendo nossa ciranda
E no reflexo do luar
Quando a noite se adianta
Passamos a ser dois cálices
Em mistura de sabor
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

30 maio 2012

Amigo


E longe
O teu calvário prossegue
Na material despedida
Do filho companheiro
Meta alva dos teus anseios
Das tuas preocupações
O tempo inteiro
E vimos juntos o tempo passar
Desde  aquele sorriso primeiro
No berço tão cativante
E alvissareiro
E depois tantos desgastes
A luta por mantê-lo
Junto de ti na mesma pátria
E em razão da negativa
 Te tornastes apátrida
A consertar emocionais
Pelo mundo inteiro
E vimos juntos o tempo escoar
Na ampulheta do desencontro
Você aqui e eu lá
E depois o contrário realizado
Eu aqui e você em algum lugar
Amigos sempre
Mais que companheiros
Mais que irmãos
E nesse momento juntos
Vemos a vida bem longe recomeçar
Na pátria que imaginamos original
Em que ele haverá de estar
Abraçados ainda que tão longes
Na saudade que a presença do guri amado
Desde já está a causar
Lágrimas ocultas na luta por fortalecer
Lágrimas choradas livres na expressão de ser
Lágrimas misturadas na soma que sempre
Soubemos ter......e...volte logo
Estarei aqui...sempre...amigo
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

26 maio 2012

Quando um homem chora


Quando um homem chora
Rompe-se o dique da contenção
Massificante e mascarada
Na quebra da violação ao sentimento
Que se faz de forma contumaz
Desde que nasceu
Para ser assim macho capaz
Quando um homem chora
A dor da perda mais doída
No abraço solidário da mulher amiga
Na soma da ferida repartida
Ao ver o fim da vida
De um filho amado
Quando um homem chora
Não há soluço
Apenas um pranto continuado
Que jamais se permitiu nascer
E nesse momento chora ele
E choro eu.....
Que chore o mundo
Por que a raiz partiu
E a árvore ao ver o fruto despencado
Não suportou
Ruíu....
Somente em novas sementes
Lentamente a germinar
Poderá quem sabe um dia
Novamente suplantar
Deixem chorar portanto
Todos os meninos
Que a lágrima
É sinal de igual
Na equação da dor
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
(em lágrimas)

24 maio 2012

Volta...


A noite chegou tépida
Pela coberta de lã
A luz modular acomodou o breu
À meia luz
Com os olhos semi abertos
Em sensação de abandonar
Todos os limites
E de repente se fez dia
Claro em céu
Maravilhosamente azul
Flores
Em perfume inebriante
Da alfazema
Campos naturais
Pássaros a chilrearem
Sem qualquer partitura
Verdadeira orquestra
Em claves de sol e bemóis
E de repente um vulto
Conhecido e reconhecido
Você
Vindo em minha direção
Seu rosto resplandecente
Em cores de saúde
Sua roupa branca habitual
Seu sorriso inteiro sempre
Fosse qual fosse o devaneio
Ou a agrura que a vida trouxesse
Sim o seu sorriso inteiro
Abraçou o meu olhar
Orvalhado pela emoção
Desse encontro tão sentido
Verdadeiro
E no abraço intenso e sorrateiro
Uma eternidade viva
Fazendo vibrar nossos corações
Teu corpo intacto abarcando o meu
Tuas mãos silenciosamente em meus cabelos
E o dourado invadindo tudo em tom tão derradeiro
E novamente voltando à tepidez do cobertor de 
Os olhos semi cerrados se abriram inteiros
Como se fossem janelas d’alma
Fotografando a vida
E a saudade que eu sentia
Se tornou presente eternamente
Um sonho
Foi apenas mais um sonho
Amanhece
Novamente amanhece
Você de novo tão longe
Levado assim de mim
E tão presente
Num momento
Apenas um momento
Eu não queria ver você partir
De novo
Volta, ainda que em sonho
Volta....
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes