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17 julho 2013

Intrigante sintonia


Ah!
Intrigante sintonia
Que me leva a saber
Encadeadamente
Displicentemente
E totalmente sem querer
Sobre o seu pisar
E os passos de quem
O estiveram a acompanhar
Aproximadamente
Há quarenta e oito horas
.
Da série “Percepções”
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

15 julho 2013

Nas entrelinhas do amor

Antes de me ir eu quero
Caminhar ao teu lado
E de repente te abraçar
Com a força da emoção
Explodida
Arrebentada
Arrebatada
Nas entrelinhas do amor
A te fazer vivo para sempre
Na espera de me reencontrar
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Da série "Reencontros"

04 julho 2013

Arabescos

De repente
Não mais que de repente
Você sente
Que é preciso modificar
Critérios
Sensações
Sentimentos
Que lhe aprisionaram

De repente
Não mais que de repente
Você é
Exatamente o ponto inicial
Das suas descobertas
Do seu eu nú
Liberto
Em reacerto
 
De repente
Não mais que de repente
As verdades permanecem
Puras como cristais
E não mais embaçadas
Escondidas
Em coloridos arabescos
Desses vãos vitrais
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Da série "Reflexos dos cristais"

12 junho 2013

Namorados...eternamente enamorados

Nesse mesmo dia, há “alguns” anos ficamos noivos, no mais alto terraço de São Paulo, à luz de pequenas lamparinas e flores, de muitas cores, e músicas, orquestradas, que serviam para ouvir e sentir, aliás, que se faziam alimento d’alma. Emocionante e inesquecível, em requinte. Eu diria que para viver o amor é preciso ter o toque de um artista...e fazer do movimento uma obra de arte...e ser romântico, muito romântico, talvez o tempo inteiro em que se viva e se reviva o amor. Seja no sorrir, no brincar, no olhar, nas rusgas e nos destemperos, na volta da harmonia, em nova obra de arte que se plasma e que se guarda dentro do escopo, dentro da vida, vida a dois, íntima e plena.  Quanta saudade do teu olhar matreiro, carinhoso e cúmplice do meu, tão sorrateiro, com que nos alcançou aquela aliança diferente, entregue como elo verdadeiro. E depois, dançar, na troca de anseios, silenciosos anseios, feitos toques em que a pele do rosto se tocando fremia o corpo inteiro, sem quaisquer exageros, transformando o elã, num momento único de desejo certeiro assim acordado e lapidado, mantido e acrescido, no ponto certo, do abraço que dizia de tudo o mais que se queria e, sobretudo, do que se esperava, e que se enaltecia e que se cultivava, criando, para tanto, com beleza, em minúcias, o evento assim primeiro. Lenta preparação criativa da então alcova que se estenderia pela vida inteira, de tal forma, como dizia Vinicius, que não fosse eterno, o sentimento, posto que chama, mas infinito enquanto dure...e como durou...e como se fez bonito...e  como se fez forte...  esse amor, assim tão verdadeiro e corajoso que até hoje nos une...você na pátria original e eu aqui terrena e recalcitrante...sentindo  e vivendo esse mesmo amor, de puro quilate, tanto quanto aquela aliança que você me ofereceu....e, foi assim, que enfrentamos os dias azuis em céus de brigadeiro enfeitando a vida por inteiro  e as tormentas, em cores pretas, depois cinzas em degrade,  acompanhadas pelo choro ruidoso do universo todo...transformando-se até que se refizessem arco-íris completo novamente. Ah! Como a expressão do amor é assim tão diferente, quanto ao toque, na dança, do braço, que no abraço, do homem amado, enlaça a cintura, da mulher sua parceira, com firmeza e segurança, que a enleva e os leva nos passos compassados a demonstrar caminhos. Ah! Que felicidade ser ainda dessa “velha bossa”. E se hoje  não dança mais o corpo, dançam-me os olhos que, assim aprenderam a dizer de sentimento e no pulsar carrego o perfume do amor perfeito que  expressamos em tela e que até hoje inspira  o adormecer no quadro sem moldura posto sobre a parede da mesma cabeceira....em que o seu lado vazio...ainda fala...Sejam sempre todos os dias, assim, de namorados enamorados, porque o amor sobrevive e se amolda em formas diferentes e evidentes, que podem permanecer uma vida inteira, como a mais notória, original e única obra de arte criada e restaurada a cada novo dia,  por dois artistas  que  se amando,sejam infinitamente companheiros.  São Paulo (SP), 12 de junho de 2013.

29 abril 2013

Eloquente silêncio

Você...
Meu diálogo intermitente
Quando olho e sinto
O nascer do sol
Mais um presente
Você....
Conversa eloquente
Quando olho e sinto
Do lado oposto
Do meu rosto
A lua surgir
E caminhar serenamente
E entre o nascente e o poente
A beleza da mutação
Dilatação
Dos raios dourados
Avermelhados
Acobreados
Arroxeados
Até chegarem
Ao azulado
E então...você
Minha conversa transcendente
Tão paciente
Em que a alma procura
A linha do horizonte
E distante
Faz da noite a telefonia
Sem cacofonia
Com todos os planetas
Porque sou então
Energia incandescente
Tanto quanto meu coração
E a vibração cavalga aires
Montando estrelas
Em rédeas de luar
Superposta aos mares
E a conversa se faz
Alcançando em diapasão
Tantos outros seres
Estelares?
Talvez sim, talvez em pares
Tanto quanto eu
Na pura força deste meu silêncio
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Da série “Silêncios”

24 abril 2013

O livro

 
Não te renego
Nem te escondo
Do meu eu
Eu simplesmente
Te aconchego
Bem guardado
Na biblioteca d’alma
Como um livro dourado
Feito linda história
Que um dia aconteceu
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Da série “Momentos”

15 abril 2013

Irrelevante sombra

Era um tudo
Com vocação pro nada
E então nada virou
.
Era um conluio
Em comboio de estratégias
Que ao próprio coração calou
.
Era ao final um nada
Que jamais se transformou
E no passado ficou
.
E não mais que uma sombra
Que não se expressou
Passou....
 .
Da série “Sombras e Imagens”
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

25 março 2013

Sombras e Imagens

Sentada à luz das velas
Espero a chuva passar
E as paredes são telas
Pra imagens a projetar
E os meus dedos se unem
E fazem um coração
E de repente voláteis
São pássaros a voar
Que faço movimentar
E uma formiga que corre
E um elefante que para
E uma vida sem cores
E sombras a propagar
E as velas se queimando
Chegam a se apagar
Como se fossem cortinas
Do teatro a se fechar
No momento certo
Em que as lágrimas
Teimam em soluçar
Como as gotas da chuva
Escorrendo pelo ar
Falam de um tempo presente
Que nada pode mudar
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Da série “Sombras e Imagens”

13 março 2013

O tudo e o nada


Explode o sorriso
E no coração
Há flores
Em sementes
De amor
Sempre
E no silêncio
O tudo
E o nada
Fazem a paz
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Da série "Silêncios"