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20 janeiro 2013

O coma

Na bifurcação
Da rota
Na dissociação
Da química
Na cavalgada
Fora da relva
No despir-se
E ser tão nua
No falar
Em brado
De calmaria
Que ninguém
Do lado de lá
Do espelho
E  quase ninguém
Do lado de cá da vida
Consegue entender
Nesse exato ponto
Está o coma
Na fragmentação do eu
Que no último momento
Se agarra ao vínculo
Luminoso
Que se mostra
E em que nunca houve mágoa
De qualquer teor
A buscar
Então no “Amor”
A possibilidade
De refazer o caminho
E com autorização
Voltar
E sem autorização
Partir
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Da série "Momentos"
.
Durante anos tentei explicar "O Coma" e agora, num só momento, o defini. 

18 janeiro 2013

Potencial amor

Pela Janela
O brilho da lua fulgura
E em nossos olhos
A luz das estrelas reinaugura
Todo o potencial amor
Que se esvai em ternura
Desejo em turbilhão
Em ondas de emoção
E do exaurimento
À exaustão
O abandono
Lado a lado
Abraçados
Apenas pelas mãos dadas
E do sonho reflexo
Relaxado da paixão
Do torpor
Ao despertar
O acender de velas
E a tepidez da água
A nos manter
Completos
.
Da série “Momentos”
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes 
 

14 janeiro 2013

Desejo

Desejo de te encontrar
Sentarmos frente a frente
Num local ideal
E conversarmos
Como dois irmãos
Dois amigos
Dois colegas
Dois amores
Dois cúmplices
Em risos
Em soma
Em confidências
Em planos
De vidas unas
Esgotadas
Em escassez de palavras
E tão forte vibração
D’alma
.
Desejo de te pedir
Pra sair
E encontrarmos uma cachoeira
De palavras
A desembocarem num manso rio
De olhares
Travessos e libertos
De qualquer contenção
A buscar as flores das sementes
Desse tudo e nada que plantamos
Nos dourados anos
Que passaram tão rápido
Como os gorjeios
Da passarada
Em cujas asas abertas
Voam os minutos
Desse tempo
Nesse nosso mundo
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Da série "Momentos"

01 janeiro 2013

O seu olhar que o meu olhar imanta

Assim como o sol fita a terra
Você me fita em brilho que acelera
Todo o calor do sentimento
Que faz nosso este momento
 .
E estar livre como a onda do mar
Que chega ao colo que me encerra
É ser tatuagem da natureza ao ar
Que inspirado me desenha no seu ser
.
E no beijo assim adocicado
E no carinho que crepita
A penumbra chega e alimenta
O nosso sonho ainda inacabado
.
E a cortina tênue que a lua descortina
Nesse mesmo mar que acalanta
É como cumplicidade que ilumina
O seu olhar que o meu olhar imanta
.
E a melodia assim delira
Fazendo de minha alma sua musa
No prazer que acirra
E ao mesmo tempo se mantém
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Série "Momentos"
02/01/2013

28 dezembro 2012

E repentinamente....

Você surgiu do Universo
E tocou a campainha de minha casa
Trazendo o brilho do sol
Para todos os cantos do meu eu
E eu ainda semissurpreendida
Com as trilhas que a vida dispõe
Silenciosamente
Discretamente
Verdadeiramente
Depois de tanto relutar
Abraço você pra sempre
Ouvindo a canção que do piano
Novamente vem...
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
28/12/2012

21 dezembro 2012

Você meu melhor presente de Natal

 
Feliz em comemorar o Natal com cada um de vocês que, durante o ano inteiro, esteve junto através dessa troca de mensagens no dia a dia, a acrescer o nosso vínculo e, mesmo, pra você que esteve sem poder interagir nesse sentido e direção, mas que de outras formas esteve presente em minha vida, eu agradeço a força do carinho e a certeza de que fomos e somos um presente um para o outro e, assim, o nosso Papai Noel nada mais é que a própria Vida, retratada por cada um de nós, vida, essa,inserida nesse Universo repleto de riquezas e belezas, de que somos parte tão contagiante como o brilho do sol, ou a vestimenta das estrelas, sob o olhar da lua em reflexo no mar, esse mesmo mar a respirar por ondas que o vento acalanta depois de beijar todas as plantas das florestas....e... em cadeia... o canto de cada pássaro, os olhos alvissareiros de cada animal a dividir o espaço terreno com as pedras ensimesmadas e mudas, os lagos como respiradouros da paz, rios cantores eternos, tudo isso sob os acordes das bençãos diárias  do Criador.
.
E tudo isso nessa soma que soubemos incentivar, eu desejo se repita, assim de forma tão mágica e real, com um abraço forte  sempre a acarinhar, fazendo dos nossos dias um renovado Natal, com imensa alegria a renascer  nessa noite especial em que em nossas vibrações assim nos manteremos reunidos.
 
.
Feliz Natal
Márcia  Vilarinho
25/12/2012
 

11 dezembro 2012

Aos Maias

Dos tempos de além
O pó dos Vesúvios
As poeiras dos desertos
Os vendavais que transmutam
A água do mar em balé
As minas de ouro na terra
As minas de ouro no sol
A chuva que lava os rios
Os rios que levam a água
Os pássaros que levam o pólem
As borboletas e o nácar
São como tambores sonoros
Que ecoam os vales canoros
Nas almas feitas em corpos
Desfeitas lá no além
No parto do ventre sereno
Das profundezas do ar
Além das estrelas do céu
Além do céu e do verso
Desse canto do universo
Que hoje cantamos nós
Na orquestra que o tempo
Regente une a todos sem nós
Seja aqui ou seja acolá
A vida é a voz que ecoa
A voz somada no eterno
Que não desaparecerá
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

10 dezembro 2012

Cadência da vida...cores que não se vão

 
Fruta de duas vidas juntas sementes de amor
.
Em liberdade ainda a mulher, jovem criança e menina
De braços dados de novo na mesma nave principal
Viu repetirem-se as cenas da constância conjugal
Em que a filha encontrara o seu caminho natural
Tal qual como ela e ele um dia se fizeram casal
.
Em liberdade a mulher agora assim tão viúva
Que e viuvez vem da morte e da colheita dos dias
Ainda sorria com a alma em vida tão bem sorvida
E perseguia nos sonhos as asas das borboletas
Querendo pegar-lhe as cores pra enfeitar o sol
.
E nesta noite, a mulher, ainda assim enlevada
Tendo no peito incrustrado um ardente coração
Escreve poesias com rimas assim relembradas
Pelo tempo em que se tornou asas das borboletas
Nas cores orignárias que em si própria mitigou
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Em liberdade a menina
De tranças cadentes
Corria atrás das borboletas
Querendo pegar-lhe as cores
Para enfeitar os feixes do sol
.
Em liberdade a jovem depois de menina
Pé ante pé, descalça, com os sapatos na mão
Quase lhes quebrava o cristal simbolizado então
Pela carruagem e a abóbora história sem ficcção
Cuja Fada Liberdade lhe opusera em contramão
.
Em liberdade a mulher depois de jovem e menina
Em branca camisola de transparentes cambraias
Se erguia da cama encantada de romance e de sabor
Pra achegar-se ao berço da criança que nascera

29 novembro 2012

Assim.. tão outonal


Finalmente se redescobriu
Dos necessários véus da coragem
Que recobrem a fragilidade
Por absoluta necessidade
.
E pode se perceber chorando
E sorrindo naturalmente
Expressando sentimentos
Atrofiados pelo dispêndio
.
Dispêndio de força
Buscada na seiva das raízes
Dos antepassados
Em soma secular
.
E agora é a hora...minutos
Da maciez do algodão...na calma
Da nitidez do céu azul...na alma
Da tepidez do sol...na pele
.
É hora de carinho...presenças
De atenção, de passeios....leveza
Brincadeiras e sorrisos....asas de passarinho
É serenamente vez de ser...simplesmente ser
.
Reinventada...novamente
Meio menina, meio mulher, meio filha
Meio mãe, meio esposa, meio irmã
Em espectro feliz de vivência...assim tão outonal
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes