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01 janeiro 2013

O seu olhar que o meu olhar imanta

Assim como o sol fita a terra
Você me fita em brilho que acelera
Todo o calor do sentimento
Que faz nosso este momento
 .
E estar livre como a onda do mar
Que chega ao colo que me encerra
É ser tatuagem da natureza ao ar
Que inspirado me desenha no seu ser
.
E no beijo assim adocicado
E no carinho que crepita
A penumbra chega e alimenta
O nosso sonho ainda inacabado
.
E a cortina tênue que a lua descortina
Nesse mesmo mar que acalanta
É como cumplicidade que ilumina
O seu olhar que o meu olhar imanta
.
E a melodia assim delira
Fazendo de minha alma sua musa
No prazer que acirra
E ao mesmo tempo se mantém
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Série "Momentos"
02/01/2013

28 dezembro 2012

E repentinamente....

Você surgiu do Universo
E tocou a campainha de minha casa
Trazendo o brilho do sol
Para todos os cantos do meu eu
E eu ainda semissurpreendida
Com as trilhas que a vida dispõe
Silenciosamente
Discretamente
Verdadeiramente
Depois de tanto relutar
Abraço você pra sempre
Ouvindo a canção que do piano
Novamente vem...
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
28/12/2012

21 dezembro 2012

Você meu melhor presente de Natal

 
Feliz em comemorar o Natal com cada um de vocês que, durante o ano inteiro, esteve junto através dessa troca de mensagens no dia a dia, a acrescer o nosso vínculo e, mesmo, pra você que esteve sem poder interagir nesse sentido e direção, mas que de outras formas esteve presente em minha vida, eu agradeço a força do carinho e a certeza de que fomos e somos um presente um para o outro e, assim, o nosso Papai Noel nada mais é que a própria Vida, retratada por cada um de nós, vida, essa,inserida nesse Universo repleto de riquezas e belezas, de que somos parte tão contagiante como o brilho do sol, ou a vestimenta das estrelas, sob o olhar da lua em reflexo no mar, esse mesmo mar a respirar por ondas que o vento acalanta depois de beijar todas as plantas das florestas....e... em cadeia... o canto de cada pássaro, os olhos alvissareiros de cada animal a dividir o espaço terreno com as pedras ensimesmadas e mudas, os lagos como respiradouros da paz, rios cantores eternos, tudo isso sob os acordes das bençãos diárias  do Criador.
.
E tudo isso nessa soma que soubemos incentivar, eu desejo se repita, assim de forma tão mágica e real, com um abraço forte  sempre a acarinhar, fazendo dos nossos dias um renovado Natal, com imensa alegria a renascer  nessa noite especial em que em nossas vibrações assim nos manteremos reunidos.
 
.
Feliz Natal
Márcia  Vilarinho
25/12/2012
 

11 dezembro 2012

Aos Maias

Dos tempos de além
O pó dos Vesúvios
As poeiras dos desertos
Os vendavais que transmutam
A água do mar em balé
As minas de ouro na terra
As minas de ouro no sol
A chuva que lava os rios
Os rios que levam a água
Os pássaros que levam o pólem
As borboletas e o nácar
São como tambores sonoros
Que ecoam os vales canoros
Nas almas feitas em corpos
Desfeitas lá no além
No parto do ventre sereno
Das profundezas do ar
Além das estrelas do céu
Além do céu e do verso
Desse canto do universo
Que hoje cantamos nós
Na orquestra que o tempo
Regente une a todos sem nós
Seja aqui ou seja acolá
A vida é a voz que ecoa
A voz somada no eterno
Que não desaparecerá
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

10 dezembro 2012

Cadência da vida...cores que não se vão

 
Fruta de duas vidas juntas sementes de amor
.
Em liberdade ainda a mulher, jovem criança e menina
De braços dados de novo na mesma nave principal
Viu repetirem-se as cenas da constância conjugal
Em que a filha encontrara o seu caminho natural
Tal qual como ela e ele um dia se fizeram casal
.
Em liberdade a mulher agora assim tão viúva
Que e viuvez vem da morte e da colheita dos dias
Ainda sorria com a alma em vida tão bem sorvida
E perseguia nos sonhos as asas das borboletas
Querendo pegar-lhe as cores pra enfeitar o sol
.
E nesta noite, a mulher, ainda assim enlevada
Tendo no peito incrustrado um ardente coração
Escreve poesias com rimas assim relembradas
Pelo tempo em que se tornou asas das borboletas
Nas cores orignárias que em si própria mitigou
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Em liberdade a menina
De tranças cadentes
Corria atrás das borboletas
Querendo pegar-lhe as cores
Para enfeitar os feixes do sol
.
Em liberdade a jovem depois de menina
Pé ante pé, descalça, com os sapatos na mão
Quase lhes quebrava o cristal simbolizado então
Pela carruagem e a abóbora história sem ficcção
Cuja Fada Liberdade lhe opusera em contramão
.
Em liberdade a mulher depois de jovem e menina
Em branca camisola de transparentes cambraias
Se erguia da cama encantada de romance e de sabor
Pra achegar-se ao berço da criança que nascera

29 novembro 2012

Assim.. tão outonal


Finalmente se redescobriu
Dos necessários véus da coragem
Que recobrem a fragilidade
Por absoluta necessidade
.
E pode se perceber chorando
E sorrindo naturalmente
Expressando sentimentos
Atrofiados pelo dispêndio
.
Dispêndio de força
Buscada na seiva das raízes
Dos antepassados
Em soma secular
.
E agora é a hora...minutos
Da maciez do algodão...na calma
Da nitidez do céu azul...na alma
Da tepidez do sol...na pele
.
É hora de carinho...presenças
De atenção, de passeios....leveza
Brincadeiras e sorrisos....asas de passarinho
É serenamente vez de ser...simplesmente ser
.
Reinventada...novamente
Meio menina, meio mulher, meio filha
Meio mãe, meio esposa, meio irmã
Em espectro feliz de vivência...assim tão outonal
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

25 novembro 2012

Minha nudez não será castigada


Que me perdoe Nélson Rodrigues
Por contrariá-lo
Porque estou jogando falsas roupas fora
E esfoliando a hipocrisia a cada dia
.
Que me perdoem todos os inexpressivos
Por contrariá-los
Porque estou tirando a máscara
E desnudando o olhar ao caminhar
.
Que me perdoem todos os inconformados
Porque em movimento
Os remendos todos foram atirados fora
Porque me fiz poesia vestida de Universo
.
Que me perdoem todos os incógnitos
Porque minha escrita se faz real caminho
Em que minha nudez desfila
No amplo espectro das reflexões
.
Que me perdoem também os pregressos
Em todos os seus retrocessos morais
Porque a minha voz será sempre canto de arauto
Retificando injustas situações
.
E ainda que me perdoem os modelistas
Porque nacarada como asas de borboletas
Saio às ruas è às vielas de mim
Buscando novos tons do arco íris sem fim
.
E por fim que me perdoem os intrigados
E também os intrigantes
Pois minha nudez não será castigada
Porque vestimenta de minha própria alma
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Nos escaninhos
Do meu coração
Você ficou guardado
Pra sempre
Inteirinho
Nesse imenso amor
.
Nas esquinas de minh’alma
Feitas das quinas  da vida
O perfume do amor perfeito
Rescende ainda pelos caminhos
Da história que ficou
Dos tempos idos do meu eu ao  teu
.
E nos meandros da memória
Nos hieróglifos do espírito
Arquivos que a alma compôs
Reside o nosso segredo
Que hoje nos separa e une
Para sempre.....
 
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

21 novembro 2012

Rodopio II


No meio da pedra
A fonte jorrava
A água do rio
Que o mar tomava
.
No meio da terra
A grama grassava
E a erva daninha
Se acomodava
.
No meio do espaço
Acima da nuvem
A lua dormia
E o sol se escondia
.
No meio do tudo
E do nada talvez
A flor renascia
Despetalada...
.
E a aurora chegava
E o orvalho caía
E a serra nublada
Escondia a estrada
.
E os amores perdidos
Desfeitos no tempo
Levados ao vento
Não mais se encontravam
.
E a flor renascida
Semente plantada
No meio da vida
Rodopiava...
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes