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04 maio 2014

Assim te amo


Do tempo pedido
Manteve-se o tempo
Perdido no talvez
Sem poesia
Calada em reflexão
E se hoje lhe nego o não
Também não lhe digo o sim
Porque não há o espaço
Assim pedido
Com regras
E abstenções
Em ciúme de emoções
Vivas em meu coração
E vamos além
Sem dia ou hora
Sem planos
Sem posse
Sem delimitação
Sem propriedade
Sem semáforos
Sem indicações
Em retas paralelas
Porque é assim
Exatamente assim
Que te quero
Porque não sou tua
Nem és meu
De comum...
Temos o suficiente
O sentimento uno
Assim
Profundamente estável
Sobre as ondas da maré
Que te fizeram náufrago
E que me fizeram viva
Nesse encontro
Nesse encanto
Sempre novo
Desde tão antigamente
Na euforia da meninice
Na jovialidade adolescente
Na maioridade
Em vidas diferentes
Afastados momentaneamente
E na maturidade
Em que finalmente nos unimos
Resta-me dizer...assim te amo
De forma surpreendente
Em metamorfose de amor
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Da nova série: “Metamorfose de amor”

04 abril 2014

Somos



 Como no compasso
Deste descompasso
Somos nesta vida...
Signos de orquestra
Juntos a dançar
.
Como folhas soltas
Na ventania envoltas
Em breve sinfonia
Somos maestria
Neste balouçar
.
Como asas delta
Em brincadeira celta
Que nos faz voar
Somos amplitude
A nos enlaçar
.
Como quietude
Som em plenitude
Coração ao centro
Neste abraço lento
Em olhos de olhar
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Da série "Somos"  

23 março 2014

Flash


Corpos que se extravasam
Corpos que se distanciam
Corpos que se saciam
Corpos que silenciam
E na taverna da vida
O vinho dos sentimentos
Adormece o cérebro
Embebedando o coração
E nesse cenário espúrio
Despida de carnes a alma
Reluz no reflexo da lua
A sua própria ternura
Tal maré que beija areia
E na algazarra da noite
Estrelas são vagalumes
Alguns sussurram prazeres
E em outros a lágrima brota
E no canto qual fotógrafa
Num flash sorrateiro e cabal
Eu vejo que há copos cheios
De estanho tão amassados
De cristal sempre trincados
Quebradas as transparências
E outros de borracha latente
Sem nunca se distorcer
Contendo amores e dores
Por toda uma vida inteira
E na taverna da vida
A noite suplanta o dia
Que novamente já vem
Corpos são copos d’alma
Que a vida em si a retém
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Da Série "Flashes"

09 março 2014

E ainda me perguntas?

Me perguntas por que
Das poesias te escondi?
E direi que a ti minh’alma
Falou diretamente do amor
Que foi norte e sul
Dia e noite
Desse terno caminhar
E dos dias escuros
De saudade camuflada
Em que a chuva foi lágrima
Que lentamente rolou
Nas faces do rosto
Leito dos sentimentos
Represados no dique
Desses olhos meus
Que foram sempre
Inteiramente teus
E me perguntas
Por que de poesia me vesti?
E te respondo
Foi para esconder-me nua
Por que teu nome
Em mim a vida tatua
Na pele e na epiderme
Escrevendo tão somente
Teu prenome...AMOR
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Da série “Incógnitas do meu ser”
.

19 fevereiro 2014


A cerração imensamente cor de rosa, que desde criança me assusta, descerrou-se em portal e pude passar por ele e nitidamente encontrar-te e o teu sorriso resplandecia os olhos de dormir despertos, com o brilho do sol misturado... ao desejo do luar.
.
E minha roupa terrena, esse vestir roto que me agasalha e me mantém aqui tão longe do teu aí, caiu deixando-me nua a alma que enlaçada ao teu brilho flutuou na claridade além, muito além, da névoa dissipada.
.
E então perpassamos por tantos diferentes dias da eternidade que nos tem mantido juntos, assim unidos e inseparados sempre, ainda que com diferentes máscaras, em diferentes ais, no baile indefinido dos dias desse gigante chamado tempo, no acalanto maior dos nossos passos retroagindo e retrocedendo paisagens.
.
E nesse passeio meio cósmico, muito além do universo, conseguimos sempre e mais entender onde estavas quando eu desaparecia e onde desaparecias de onde eu estava e o porquê, no enunciado da trilha mágica que nos faz eventos.
.
E então o dia amanheceu mágico e fugidio no compasso do relógio frio que me fez vestir esta roupagem terrena e rota novamente, fortalecida por esse nosso tão completo e encantador encontro , em que o teu perfume restará guardado na vestimenta d’alma...assim tão sempre.
.
E a cerração em rosa passou ao cinza da cidade grande no meio desses diferentes transeuntes, que fazem parte desse terreno mundo, em meio às sirenes das buzinas, pelo atraso dos minutos condensados nas palpitações feitas por sustos e medos que passeiam pelas nossas veias...no desencanto de tanto e tamanho desencontro...em diametral disparidade de energias...essas sim, dissipadas e contrariadas no dia a dia desse marca passo do coração ferido do mundo, de onde olho para o alto....e ainda te vejo, porque geminadas estão nossas raízes.
.
Em homenagem....no meu 35º aniversário de casamento...para sempre
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

30 dezembro 2013

Somos partes que se somam na mandala do Universo

Somos
Assim como as ondas
Que vem e vão
Na cadência natural
Do seu próprio universo
Somos verso
Assim também  como a brisa
Que se recolhe
E não sei aonde se fortalece
Para se transformar em tufão
Varrendo impurezas do solo
Do ar e mar em união
E somos tantas vezes
Esse mesmo tufão enfraquecido
Tornados aragem novamente
Acariciando a própria criação
Somos assim como o sol
Que ora aparece ora não
E somos ainda tanto quanto a lua
Escondida na neblina
Ou no pó das estrelas afastadas
Que ressurge quando quer
Ou quando pode eu não sei não
E que se reflete no mar
Em deleite de poesia
Como se fosse o próprio olhar
Do mundo feito globo ocular
A nos fazer enxergar
Que a própria vida
Vai e vem a balouçar
E assim agradecidos
Os dias também vêm e vão
Sempre muito variados
E o ano passa...
E nos repassa a limpo
E tantos amigos aragem
E outros tantos tufões
Estão então a se transformar
Para a soma maior realizar
Nesse eterno renascer
Que nos faz oxigênio
Um do outro o tempo todo
Bastando reconhecer
Que somos por isso mesmo
Outeiros semi inteiros
Aprendendo a somar...
Na mandala do Universo
.
Márcia Fa. Vilarinho Lopes

18 dezembro 2013

 
Então é Natal!


E no meu coração quero que assim o seja todos os dias da minha vida, no encontro com todos os transeuntes que cruzam as estradas e fronteiras da vida ao mesmo tempo que eu, independentemente de credo, raça, local ou cor.
 
E na minh’alma quero que assim o seja todos os dias desta minha encarnação unida ao aniversariante e agradecida a tudo que o Pai criou, sejam todos os pontos basilares do Universo e suas maravilhas, sejam o corpo, que serve de instrumento diário a tantos, e a energia una que nos soma ao plano de equilíbrio da própria Vida.
 
E  a cada nascer do sol quero que assim o seja no abraço que lhe envio a cada dia...porque a amizade já é o próprio sentimento que enlaça para sempre, com amor...e por favor abra o endereço eletrônico abaixo, porque ele compõe o Natal.





Feliz Natal sempre

Márcia Vilarinho

17 outubro 2013

O mais lindo dueto da minha vida em reflexos de cristal

 
I
Recebi um cristal de presente da minha filha e assim a ela agradeci:
No silencio dos meus dias
Transmutações se refletem
Numa torre de cristal
Imantada por poderosas mãos
Geridas pelo coração
Nas água do rio Vida
Acalanto de emoções
Que o cristal irradia
Guardando com maestria
Sua natural energia
Que se perfaz em quimeras
Sonhos a realizar
Porque o cristal vaticina
Desde suas remotas eras
As descobertas de cura
No silêncio dos seus dias
Em seu pleno transmutar
 
II
Como quem herda aos seus não nega a Deus, ela então me respondeu:
Poderosos elementais de soma
Multiplicadores da luz
Em união com a tua força
E com o teu coração
Será certeira a intenção
Chuva de luzes coloridas
Na perna...na casa...na vida
E quem não tem uma ferida?
Para a cura da alma auxiliar?
Que te tragam muitas bênçãos
A perna...o cristal...e os pensamentos
Pois Deus está em Tudo
Ajudando-nos a Amar
Bom dia minha amada Mãe
Obrigada pela força inesgotável
Que levanta
E nos ensina a caminhar
.
Debulhada em lágrimas de emoção, que se fizeram furta cores, refletidas no cristal eu descobri assim que está pronto o mais lindo dueto da minha vida, feito de mãe e filha, e mais ainda de Graziela e cristal.
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes e Graziela Miê Peres Lopes
Em 17-10-2013
 

04 outubro 2013


Lembranças dos meus escritos
São ecos de todo meu eu
Que reproduzem asteriscos
Nas luzes de cada noite
A perpetuarem o céu
.
Lembranças dos sentimentos
São pinturas escolhidas
Tintas em linimentos
Em nuances verdadeiras
Assim vivificadas
. 
Lembranças das minhas verdades
São bases da realidade
Do amor e do grão carinho
Que na árvore do universo
Fizeram tão lindo ninho
.
Lembranças do meu eu
São eternas primaveras
Que rechaçaram o inverno
Que recusaram o outono
Que não permitiram o abandono
.
Lembranças das esperanças
Da crença no renascer
Do abraço tão escondido
Do carinho acumulado
Que só fizeram crescer
.
 Lembranças sou eu criança
Num coração de mulher
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Da série: Lembranças