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11 novembro 2012

Eu trilha...rastro sou

Era linda a trilha
Repleta de luz
Que se apagou
Sem lua
Sem sol
Sem o sal da vida
.
Era linda a trilha
Porque perfeito aquele companheiro
Que nos seus rastros
Deixou pegadas
Em cada flor
Por ele cultivada
.
Era linda a trilha
Enquanto árvore frondosa
Servi a sombra
E o refrigério
Na força de meu caule
Na veracidade da minha raiz
.
Era linda a trilha
E hoje totalmente abandonada
Velha árvore não mais respondo
Nem pela sombra
Sequer pela raiz
Menos ainda pelo refrigério
.
Isolada me fiz morada
Apenas da passarada
E o companheiro bem à frente
Vai carregando raios de sol
Pegadas do luar e as flores
Que só a elas... ele cultivou
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

09 novembro 2012

Um dia...

Um dia
Em qualquer momento
No meio do trânsito
Vaivém de almas
Que chegam e que se vão
No silêncio
Ou na agitação
Depois de muita negociação
Eu morrerei
Mas a minha voz...não
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

04 novembro 2012

Outono...uma triste visão - Parte I

 
Chegou o outono
E com ele as folhas vermelhas
Que queimam os olhos
E incendeiam o coração
Perdendo para sempre
O perfume inebriante e próprio
Dos dias que se foram
E assim como as folhas caem
Os aparentes velhos trôpegos
Com alma de poeta
E ideais capazes
Em capacidade de ganho e sustentação
São tratados sem interesse
Como se fossem fardos
Que nunca serão
Porque já não aproveitam
Aos interesses egoístas
Dos que lhe sugaram
Desde o leite
Até a capaz idade
E quantos nunca se lembraram
Em devolver carinho
Companheirismo e companhia
Trocando tudo por moedas
Feitas escambo
Como se fôssemos todos
Notas Fiscais ambulantes
E quantos sugaram o que rendiam
Em capacidade
Em sagacidade
Lealdade
Sinceridade
Tenacidade
Dedicação...enfim... amor
E sem miopia viam
Quantos bajuladores
Malabaristas e sedutores
Deles se valiam
E mesmo assim os serviam
No interesse maior do ser
Que cresce, se engalana e esquece
Ou desconhece
Tenha a idade que tiver
Que as folhas de outono
Queimam os olhos
E incendeiam o coração
Quando trazem em si, o mais letal dos venenos
Chamado...ingratidão
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

26 setembro 2012

Desafio meu

Minha tela imaginária
Plasmada
Em nuance universal
Criada
Volátil e virtual
Emoldurada
Semi completa
Seleta
Em que apenas
Vestida de noite
Falto eu
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

09 agosto 2012

A rosa....

De repente
Não mais que no repente
Em meio ao trânsito tresloucado
Extremamente emburricado
Mudei a direção
Em busca de um lugar do passado
Cheguei como se outrora fosse
E o outrora se fez presente
De maneira tão latente
E com a ajuda necessária
Cheguei à nossa área
Nosso cantinho especial
Nossa mesa
Madeira tosca
Canto sagrado
Que até hoje canto eu
E ali acomodada
Pedi o de sempre
Meu pensamento rodopiou
Dançou
Viveu
Reconheceu
Girou
E ali fiquei
Saboreando lembranças
Os minutos contando histórias
De cada momento
Sem lamento
Vivendo o antes
Agora ao depois
Como o avesso do avesso
Que se repõe
E de repente
Não mais que no repente
Uma entrega especial
Uma rosa
Cor vermelha
Fixada para sempre
Na alma que acalentou
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

07 julho 2012

Reencanto

Num canto qualquer do meu coração
Você se acomodou e adormeceu
E foram tantos dias mornos
Sem tempestades de verão
Que me acostumei ao inverno
Aquecida pelas lembranças
Do teu eu
.
Num canto qualquer da minha vida
Você ficará como quem esqueceu
De ser o que sempre foi
Ou o que era
Pra abdicar de ser o que será
E o tempo...... passará
Carregando seu apogeu
---------
Sementes do amanhã?
Somente as que possam brotar
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

27 junho 2012

Sou livre...sei que sou


Hoje vislumbrei-me
Liberdade
Em mim esparramada
Como sementes brotadas
Em terra preparada
Porque somos livres
Ainda que no cárcere
Das emoções
Ainda que sob legislação
Ainda que sob o relho
Dos desmandos
Somos livres
Quando tomamos a direção
Dos nossos pensamentos
Livres pensamentos
E os realizamos
Criando nossos próprios caminhos
Trilhas abertas em qualquer rincão
Sou livre
Sei que sou
Na desobediência à contenção
Ainda que aquebrantada
Ainda que amordaçada
Ainda que condicionada
Ao uso de uma cadeira...que roda
Para o desespero de muitos
O aplauso de outros
E a minha auto aceitação
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

05 junho 2012

Minha caixinha das emoções contidas

A suavidade da canção
Invadiu o ambiente
Restrito
E restritivamente
Me ative tão somente
À partitura da vida
Que se inicia pela nota
E em meus pensamentos
Mitigaram lembranças
ceis de brotar
No coração em sol
Latejando brilho
Sinalizando a ária
Das emoções tão só
Concentrei-me tão somente
Na via de mão dupla
Tão evidente
À minha frente
Por ela seguindo
Até o ponto de partida
Sem chegada
E sem parada
Assim perdida
Em milesimal momento
Num labirinto
Chamado nó
Sem reconhecer paisagem
E sem retroceder caminhos
Fomos embora...
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

04 junho 2012

Como é gostoso gostar de você



 
Como é gostoso gostar de você
Quando saímos a esmo
Como crianças em férias
Parando numa mesa de madeira
Num atalho ao fim da estrada
E de repente surpresa
Você retira do carro
Uma cestinha de vime
E dentro dela
Tudo o que mais gosto
Recheada de carinho
 E no meio escondidinho
Não acredito......
Uma caixinha com...
Mandiopã
Fazendo da hora
O recreio
E a infância me abraça
No abraço do seu olhar
E você marca a semana
Tanto que hoje estou a pensar
Como é gostoso gostar de você
Que faz de conta que encontra
Um lugar encantador
Que você com muito esmero
Escolheu...guardou...premeditou
Como se fosse ao acaso
E assim vamos contentes
De canto em canto
Até o sol adormecer
E o dia entardecer
Fazendo nossa ciranda
E no reflexo do luar
Quando a noite se adianta
Passamos a ser dois cálices
Em mistura de sabor
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes