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26 maio 2012

Quando um homem chora


Quando um homem chora
Rompe-se o dique da contenção
Massificante e mascarada
Na quebra da violação ao sentimento
Que se faz de forma contumaz
Desde que nasceu
Para ser assim macho capaz
Quando um homem chora
A dor da perda mais doída
No abraço solidário da mulher amiga
Na soma da ferida repartida
Ao ver o fim da vida
De um filho amado
Quando um homem chora
Não há soluço
Apenas um pranto continuado
Que jamais se permitiu nascer
E nesse momento chora ele
E choro eu.....
Que chore o mundo
Por que a raiz partiu
E a árvore ao ver o fruto despencado
Não suportou
Ruíu....
Somente em novas sementes
Lentamente a germinar
Poderá quem sabe um dia
Novamente suplantar
Deixem chorar portanto
Todos os meninos
Que a lágrima
É sinal de igual
Na equação da dor
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
(em lágrimas)

24 maio 2012

Volta...


A noite chegou tépida
Pela coberta de lã
A luz modular acomodou o breu
À meia luz
Com os olhos semi abertos
Em sensação de abandonar
Todos os limites
E de repente se fez dia
Claro em céu
Maravilhosamente azul
Flores
Em perfume inebriante
Da alfazema
Campos naturais
Pássaros a chilrearem
Sem qualquer partitura
Verdadeira orquestra
Em claves de sol e bemóis
E de repente um vulto
Conhecido e reconhecido
Você
Vindo em minha direção
Seu rosto resplandecente
Em cores de saúde
Sua roupa branca habitual
Seu sorriso inteiro sempre
Fosse qual fosse o devaneio
Ou a agrura que a vida trouxesse
Sim o seu sorriso inteiro
Abraçou o meu olhar
Orvalhado pela emoção
Desse encontro tão sentido
Verdadeiro
E no abraço intenso e sorrateiro
Uma eternidade viva
Fazendo vibrar nossos corações
Teu corpo intacto abarcando o meu
Tuas mãos silenciosamente em meus cabelos
E o dourado invadindo tudo em tom tão derradeiro
E novamente voltando à tepidez do cobertor de 
Os olhos semi cerrados se abriram inteiros
Como se fossem janelas d’alma
Fotografando a vida
E a saudade que eu sentia
Se tornou presente eternamente
Um sonho
Foi apenas mais um sonho
Amanhece
Novamente amanhece
Você de novo tão longe
Levado assim de mim
E tão presente
Num momento
Apenas um momento
Eu não queria ver você partir
De novo
Volta, ainda que em sonho
Volta....
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

14 maio 2012

Nossa história

A estrada continua reta
E somos como duas setas
Cada um em diferente direção
Os teus passos pela casa
O teu chegar alvissareiro
O teu constante ir e vir
A tua risada gargalhada
E às vezes tão gorjeio
Nossos planos
Nossos anseios
Eu tão centrada na terra
E você verdadeiro apátrida
A querer levar me pra longe
E eu sem querer perder o perto
E olhando pela janela
Encontro a linha do horizonte
E nossa história
Vira um lindo quadro
Em pintura tão real
Pendurado nas paredes do passado
A enfeitar a própria vida
Então bebo do cálice o Porto
E como um bombom
O último da caixa
Que você me trouxe
Enquanto ouço Vinicius
Mestre do amor
Em filosofia viva
A cantar
Eu sei que vou te amar
Por uma vida inteira
E ao mesmo tempo declamar
Que não seja imortal
Posto que é chama
Mas que seja infinito
Enquanto dure...
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes



11 maio 2012

Adeus


Decisão
Aqui estou
Confessa
Pensei que poderia
Mas não pude
Foi alegre
Foi leal
Foram dias e dias
Emoção
Somada
Em alegria
Repartida união
E agora
O fim da estrada
Anunciado
Por favor
Sem olhar pra trás
Pois vou
Em outra direção
Amanhã
Quem sabe
Nas voltas
Que o mundo revela
Possamos
De olhos dados
Reiterar
Sem ratificar
Um tempo maravilhoso
Que restou enraizado
Em nosso coração
Uno para sempre
Nesse Adeus
Assim tão calmo
Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

04 maio 2012

Eu só queria um chocolate quente....

E de repente, não mais que de repente
O frio intenso do mundo aportou
Deixando anêmico o sol
E escondida a lua


E de repente, não mais que de repente
Você chegou assim tão tarde
Sem que eu esperasse
E me abraçou


E de repente o cansaço passou
O sorriso germinou
E o chocolate quente
Nos aconchegou


E de repente de olhos dados
O tempo parou
Na calmaria do amor
Que nos fez assim tão identificados

Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

20 abril 2012

Comemorar a vida (neste meu aniversário)

Meus queridos, todos, muito queridos,



Comemorar a vida, junto com cada um de vocês é especialmente lindo, porque desde que nos conhecemos somente nos fizemos próximos e cada vez mais próximos.
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Ninguém jamais saiu da minha vida, a não ser para prosseguir na Pátria original e sinto que ainda nos re-encontraremos em algum ponto da vastidão do universo.
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Também não sai da vida de ninguém, ainda que os tempos mudem nossos endereços ou mesmo nossos interesses comuns.
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Comemorar a vida é ato diário e de cada um tenho gravado n'alma um momento especial, um apoio maior, um carinho diferente, uma alegria, um trejeito, uma lembrança que como diz um amigo muito querido meu veste-nos o espírito e nos acompanhará além dos momentos terrenos.
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Os momentos difíceis, em pontos de vista diferentes, de lados sombra somados, valeram tanto que se dissolveram e se transformaram em descobertas fantásticas em melhora de comportamento ou, em alguns casos, ainda, num repetir comportamentos que levam a discussões....tormentas passageiras....que um dia nada significarão. E determinados os opostos prosseguem os amigos.
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Comemorar a vida é aprendê-la na convivência com os irmãos de sangue tão queridos, primeiros mestres e soberanos no aprendizado do repartir e somar, não é minha irmã querida?
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Comemorar a vida é sentir a plenitude do amor. Do companheirismo, absoluto e incontestável do Ka, em sua forma simples e gostosa de ver e viver a vida, de sua determinação e vontade, de sua alegria pueril até, de sua sinceridade marca registrada, pois é, dele somente restaram as lembranças felizes, vestes do meu espírito, tão lindas, como aquelas que ele sempre se lembrava de me presentear em datas especiais, com seu extremado bom gosto. E muitos se haverão de lembrar disso. Ele vive em mim pra sempre.
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Comemorar a vida é renascer em cada fllho, na hora da luz, do parto, do repartir, fisica, emocional, estrutural e totalmente a vida, com tamanho amor que esse mesmo amor se projeta de maneira interminável e especialmente bela em todas as direções do universo.
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Comemorar a vida é vencer os desafios, sejam lá quais forem, na certeza de que somos soma e viemos assim, para obtermos um resultado melhor.
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Comemorar a vida é acreditar no hoje como resultado do ontem e expressão do amanhã.
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Comemorar a vida tem sido encontrar motivação e beleza em tudo o que faço, em tudo o que fazemos e projetando para tudo o que faremos.
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Aventura e união não é amigos do escotismo? Poesia, não é amigos da Casa e do mundo, porque com o tradutor simultâneo quantos têm alcance ao que pensamos ao que escrevemos, ao que sentimos, ao que sabemos e ao que indagamos? Fóruns e Tribunais em função de pessoas, de buscas e soluções para a preservação da sociedade sem o que não somos nada, não é amigos advogados? Ser metade e ser inteira, ser verdadeira, sem esquecer de quem representou tudo e finalmente aquiescer em aceitar quem representa o que pode continuar, sem cobranças, com tanto e tamanho respeito que o sorriso é ponto de honra escancaradamente belo em sinal de felicidade, não é amigo companheiro? Realização ao ver crescidos os filhos em rotas retas e íntegras e colher deles o mel do carinho, da consideração até da recriminação pela chatice com que acabamos por nos imbuir, tantos e tantos anos cuidando deles, não é meus filhos queridos?Cultura, cinema, teatro, encontros, reuniões, viagens em conjunto, risos e brincadeira, lazer e até amuos, não é amigos desde a infância e a juventude, tentando reinaugurar eventos? Solidão reflexiva das boas, daquelas que a gente se recolhe pra ler um livro semi deitada na cama, tendo ao lado um chá ou um chocolate nos dias frios e um prato de frutas e sucos, nos dias de verão, com alguns petiscos de consagração, não é minha cachorrinha companheira? Adormecer, sonhar, plasmar e perseguir os sonhos e ser e ter a visão de si mesmo sempre inserido em algo interessante, em prol de todos, é comemorar a vida, não é Deus?
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.Lembrando que já estamos em uma idade madura, em que muitas vezes nos esquecemos do aniversário uns dos outros é que desenvolvi uma tese diferente de que o bom mesmo é avisar o outro do dia em que você nasceu, para poder agradecer a cada um e a todos por ele haver nascido em sua vida, também, de maneira a deixá-la assim tão mais bonita.
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Por fim, comemorar a vida é olhar pra minha mãe, aos 91 anos de idade e ela me devolver o seu olhar repleto de calma, sensatez, sabedoria, mansuetude, equilíbrio, alegria e sobretudo vitalidade, bastando sua presença a dizer, que tudo se transforma em ciclos...portanto no proximo ano onde quer que estejamos saiba que nunca deixarei de comemorar a vida....e você será veste do meu espírito, veste linda e colorida, veste especialmente tarjada, pelo Maior dos alfaiates do mundo e por isso eu digo, a cada um, obrigado por partilharmos a comemoração de nossas vidas em comum todos os dias, a cada dia que nos encontramos.
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Por que a borboleta? Por que em suas cores maravilhosas ela é eternamente metamorfose.



Beijos,



Márcia Fernandes Vilarinho Lopes



17 abril 2012

Vestida de pachwork

Vestida de pachwork
A cada dia
Invento novos modelos
Feitos dos pedaços de mim
E as cores alegres misturadas
Vestem-me a alma desairada
Fazendo-a mais alegre enfim

Vestida de packwork
Transponho todas as cores
Competindo com o arco íris
Ganhando o Universo
Nessa mistura de tintas
Feita dos meus rubores
Caleidoscópio em mim

Vestida apenas de mim
Componho em pachwork
Pedaços do meu viver
Pedaços do meu sentir
Em alta costura da vida
Cerzida tantas vezes
Assim...nesse imenso sem fim

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

31 março 2012

Solilóquio Primeiro - Da paixão

Não é o meu corpo
Que crepita
É a minha alma
Que em fogo arde
Na certeza
Do reencontro
Que em reencanto
Fulgura
Como noite
Plena de lua
E te sinto além de mim
Em mim

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

27 março 2012

O funeral da hipocrisia

Olhos baixos
Fala mansa
Objetivos do eu
Buscados no eles
Utilitários seres
Egocentria
Fomenta
A exploração
Em desamor
Do homem
Pelo homem
Que corrói
A verdade do humano
Que de repente acorda
No funeral da hipocrisia
Olhos nos olhos
Fala firme
Objetivos do nós
Realizados
No eu mais você
Criador a renascer

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes