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17 abril 2011

Resgate

Bebeu do grão de pólen o sumo
Sorveu o sol pelos ossos
De seu corpo inteiro
Captou a lua em seu olhar
Encerrando-a no sono
Em olhos voltados para o avesso
Banhou-se nas Cataratas do Universo
Espelhou-se no mar de estrelas
Em pleno dia adormecido
Viajou nas asas das borboletas
Antecedidas por vagalumes
A iluminar caminhos
Guardou seu racional
No cume mais alto posto em ninho
E na luz de prata se agarrou
E foi além do sonho sem registro
No resgate de seu próprio eu

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

14 abril 2011

Cotidiano "do eu" sem você


Desperta, despertador, desperta
Mesmo contrariando a lei do psiu
Meus olhos se estatelam estelares
Acampando no meu rosto seminerte
O sol arrebenta a fresta da janela
E corre até mim como companheiro
Literalmente pulo da cama
Onde caí do céu
A manhã me alimenta
Falta algo desde o travesseiro
Mas a mente já galopa
Perpassando o dia inteiro
O beijo gelado da brisa
Máscara do dia quente
Me faz pensar
Falta algo do meu dia inteiro
O trânsito, o carro
O rádio que de tanto guardar
Quando chego em algum lugar
Quase não encontro
Então eu canto
Mas falta algo corriqueiro
As buzinas somem
Todo mundo parado
Gêmeos encantados
Idênticos e sonados
Atrasados
Os minutos somam
Ninguém se olha
Ninguém se vê
Lado a lado
Sem umbigos
Centrados
Assim eu
Assim você
Vida urbana
Quero minha cabana
Porque falta algo
E não sei o que
O Código, o Juiz
O cliente, o processo
A petição, a dor
Separação
Execução
Canção
Já sei
Falta, definitivamente falta
Eu já sei o que
Falta em mim você

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

10 abril 2011

Pesadelo de amor

Há neblina cor de rosa
A encobrir tudo ao meu redor
Estou perdida
Choro
E de repente encontro você
Revestido da sua cor natural
Na roupa branca do dia a dia
No consultório
Seu cantinho habitual
Olhando pra mim
Com o seu olhar vivo de amor
Sua mão se estende
Eu não consigo segurar
Você cai
Há neblina
Essa neblina que não se esvai
Onde você está?
Eu não consegui segurar você
Volta!
Eu não sei sair daqui
E de repente
Ainda a soluçar
Olhando pelos vãos da janela
O sol começa a entrar
Faz se dia
Um bem te vi
Põe se a cantar
E o dia me acorda
E o sonho se vai
Em pesadelo
Mais uma vez
Sem conseguir segurar você
Volta, por favor volta!
.
Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

05 abril 2011

Refletindo nos cristais


Ao nascer
Ganhamos um espelho
Pra nos projetar
Um espelho feito de cristais
E aí descobrimos o sol
E depois a lua
O mar
O alvorecer dos dias
Os olhos de nossas mães
O rosto de nossos pais
E vamos por todas as fases
A galopar
Refletindo nos cristais
Todos os nossos sonhos
Todas as nossas metas
Nossos gens
Nossos ancestrais
Nossos sonhos
Nossos amores
Ardores
Desejos
Nossos sorrisos
Nossos ais
.
Ao morrer
Nos deparamos
Com um espelho
Feito de cristais
Que ganhamos ao nascer
Pra nos projetar
E já do lado de lá
Todas as nossas cores
Refletidas
Furta cores
Incandescentes
Douradas
Tão mescladas
Iluminadas
Que abraçamos
Enlaçamos
Encantados
Encantando
E as vamos levando
Como luzes do caminho
Aonde queiramos chegar
.
Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

29 março 2011

Equações da vida

Meu primeiro amor
Eterno
Aquele que me cativou
Companheiro
Amigo, cúmplice
Amante
Pai dos meus filhos
Senhor absoluto do meu eu
A vida te levou
E foi triste a partida
E no aeroporto
Intergalático
Ninguém anunciou
O vôo dos desaparecidos
E tudo mudou
O que ficou?
Você pra sempre
No meu eu
E a morte se fez vida
Não doeu
E assim nos fizemos
Sinal de igual
Na equação do amor

O segundo
Apareceu
Pareceu amor
Num outro eu
Perfeito
Nato
Belas palavras
Gestos belos
Sentimentos parcos
Lealdade
Qualidade
Amizade morna
Identificação
Perfeccionismo
Protecionismo
Animismo?
Medo
E se foi
E a vida se fez morte
E essa morte doeu

No começo foi difícil
Muito difícil
Depois
O tempo foi passando
Em passado tempo
Lembrança...
A seguir o vento
Rosto perdido
Na noite
Sem alento
O sol "reascendeu"
A lua reapareceu
A vida se revelou
A alegria acordou
O que ficou?
Apenas o que calou
O que parou
O que não permaneceu
Em você e no meu eu

Passou
Sem chegada
Sem partida
Sem hora marcada
Sem lembrança escancarada
Sem magia
Anemia emocional
Letal
Sem enxerto
Sem cor
E assim nos fizemos
Sinal de igual
Na equação da dor

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

23 março 2011

Metamorfose afinal

De tanto ter que suprir
Aprendi a não desistir
De tanto ter que fazer
Esqueci de descansar
De tanto ter que viver
Não deixei de respirar
De tanto ter que ser mãe
Fui ventre por inteiro
De tanto ver sofrer
Tentei fazer sorrir
De tanto ter que defender
Fui loba, leoa em fera
Despreparada, desprotegida
Ríspida, agressiva, defensiva
Silenciosamente chorosa
Amorosa como a rosa
Na seiva que a torna assim
E muitas vezes fui carmim
Amei, desejei, fui amada
Desejada e apaixonada
A vida veio
Varreu o meu caminho
Levou meu amor pro amanhã
Lá no etéreo
Deixando-me aqui no térreo
Sem qualquer elevador
E o tempo foi passando
Esvaziando o ninho
E a metamorfose chegando
Transformou me
Em carinho
E de tão carente
Ninguém me reconheceu...
E foi então que eu disse adeus
Às minhas cascas enfim

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Em meio ao dilúvio em mim

18 março 2011

Somos a poesia do Universo

Há tanta poesia
No mistério do Universo
No canto do rouxinol
No marulho do mar
Na célula e no gem
No gemido e no sorriso
Na brisa que vai e vem
Na chuva que cai com desdém
No raio do sol refletido no orvalho
Na força do carvalho
Na vida e no além

Há luminosos vultos
Que bem longe deste aquém
Galopam no arco íris
E dormem nas estrelas
Caminham pelas luas
Irradiam inspiração
Que nos chega ao coração
E de nossas mãos brotam escritas
Em perfeita sintonia
Palavras em melodia
Repletas de universos

Únicos versos somos
Células do Poeta Maior
Autor da Vida
Poesia em gestação
Repleta de galhardia
De cores em profusão
De sonhos, realidades e metas
E se hoje sou amor
E você está comigo
Somos então meu querido
A poesia do Universo


Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

14 março 2011

Poema da constatação


Sou o Olimpo
Olimpo cansado
Repleto de partes
Partes tão simples
Partes que se repartem
Rodeado por deuses
Apolos e Afrodites
Homens e mulheres
Perfeitos
Emergentes
Radiosos
Exigentes
Meticulosos
Harmônicos
Egocêntricos
Irretocáveis
Irrepreensíveis
Vazios
E... totalmente cegos
Sem Tirésias

Criado e postado por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

10 março 2011

Luzes sem neon

Luzes sem neon
Cadafalso de ilusões
Estranguladas
Esvaidas e exangues
Das tuas asas
Tão sem vôo
Dos pisos falsos
Dos teus passos
Engessados
Destruídos
Em feitos
Dos caminhos
Salas de aulas
Em lições não aprendidas

Criado e postado por Márcia Vilarinho Lopes