
Eu quero muito entender que espécie de patologia alcança a alma de alguns seres tidos por humanos, falsos como jóias de bijouteiros, incansáveis faladores da vida alheia, daqueles que adentram por sua casa, invasivamente, e saem dela a falar dos mais íntimos detalhes e anseios que alguém dentro daquela casa, daquele lar, possa ter e a quem, por direito, por ética, consideração, por todas as qualidades morais de um ser humano, deve-ser respeitado.
Não vêem lugar, não vêem nada, despejam seus comentários, de tudo o que viram, como se especialistas, em fazer da vida do outro seu assunto principal.
E quantos há, letrados, soberbos, incansavelmente vestidos da roupa de samaritanos. Por que quem faz caridade, entendo eu, tem por princípio impedir que a mão direita saiba o que fez a esquerda. E mesmo que a tenham feito, não têm o direito de invadir a vida alheia. Vida alheia é sagrada mais que a nossa, porque a nossa nos autorizamos a abrir, mas a do outro nunca.
Agora, pergunto? Vá ver se esses pobres doentes sociais, desconhecedores de quaisquer princípios éticos, dizem algo de suas próprias vidas... infelizes penso eu....dizem nada.
Convenhamos, você batalha sozinha, ainda que com vários amigos e familiares, a lhe apoiar, você pega a sua cadeira de rodas, e anda, e corre, e se precisar sobe e desce escadas, engole o seu luto, engole seu choro, e luta pra trabalhar, pra vencer, pra alimentar seus filhos, e vê alguns sorrateiros falando da sua vida, sem sequer saber o que você precisa, quem você é. Ora, tenham a fineza de se tratar. Fofoca mata, mas mata muito mais quem a fez, porque o bumerangue da vida volta e podem acreditar, volta mesmo.
Quem tem telhado de vidro, mesmo que com seguro pago, tome cuidado com as pedras que atirar.
Não existe ninguém que corra mais da cruz, nem mesmo o diabo, do que os falsos quando se deparam com uma viúva, com dois filhos pra criar. Podem estar certos desta pesquisa feita em vida e conscientemente.
Muitos fazem de conta que aceitam você, mas está escrito nos olhos, no corpo, na fala, na postura, da maioria desses do grande medo de ter que ajudar.
No entanto, na minha porta, muitos já vieram bater. Há muitos eu sei que ajudei, por amor, por dedicação, por obrigação, por condições e por vontade de o fazer. Há outros por quem eu morreria ajudando, mas esses são bem poucos, muito poucos mesmo, mas valem como jóias lapidadas pela mão de Deus.
Muitos também já me ajudaram, outros dizem que o fizeram, e os falsos, esses produtos dos bijouteiros, esses sempre se fazem eternos benfeitores dos locais onde residem e se constituem na mais perniciosa praga que formiga minúscula jamais viu, porque se ver se especializará em ser praga maior ainda.
E sabem do que mais eu me afastei visivelmente de todas as pessoas com síndrome de pânico quanto à ajuda que uma cadeira, na opinião dos leigos, precisa pra andar, porque não perceberam que eu a conduzo pra onde eu bem quiser, ainda, e sempre foi e assim será, e que não me venham empurrar no caixão, futuramente, porque eu levantarei e farei Buuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!
Aos verdadeiros amigos, boa noite, com amor sempre e para sempre.
Aos falsos, frutos de bijouteiros, que por certo saberão ler entrelinhas, tanto aos que falam como aos que escutam, deixo, de presente, uma especial letra de música para que os norteie.
Falso Brilhante
João Bosco
Composição: João Bosco / Aldir Blanc
O amor.
É um falso brilhante.
No dedo da debutante.
O amor.
É um disparate.
Na mala do mascate.
Macacos tocam tambor.
O amor.
É um mascarado:
A patada da fera.
Na cara do domador.
O amor.
Sempre foi o causador.
Da queda da trapezista.
Pelo motociclista.
Do globo da morte.
O amor é de morte.
Faz a odalisca atear fogo às vestes.
E o dominó beber água-raz.
O amor é demais.
Me fez pintar os cabelos.
Me fez dobrar os joelhos.
Me faz tirar coelhos.
Da cartola surrada da esperança.
O amor é uma criança.
E o mesmo diante da hora fatal.
O amor.
Me dará forças.
Pro grito de carnaval.
Pro canto do cisne.
Pra gargalhada final.
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Criado e postado por
Márcia Fernandes Vilarinhos Lopes
18/02/2010

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