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15 novembro 2009

A PIPA COLORIDA E A LINHA COM NÓ CEGO, FORA DO CARRETEL


Era uma vez uma pipa...que se vestia todos os dias com as mais belas cores já vistas...e não era uma pipa modesta.

Era uma vez um menino...que todos os dias colocava linha na pipa...e a pipa ia aos céus...com todas as suas mais belas cores...e também sem nenhuma modéstia.

Era uma vez, assim, um menino e era uma vez... uma pipa colorida ... bem como, também, era uma vez uma linha poderosa... sempre com nó cego.

Aonde o menino ia a pipa o acompanhava dos céus por força da linha que a mantinha sombra dos seus passos no seu espaço vital.

Nem o menino perdia a pipa de vista, nem a pipa deixava de vê-lo, ainda que tão distante.

E a linha? Era bem a linha da emoção e a pipa bailava no azul do firmamento, de acordo com a emoção do menino, a soltar ou restringir a linha, que assim a conduzia...de li mi ta da men te.

Até que um dia...a pipa com suas cores já esmaecidas, pelo longo passar do tempo, que a deixara tão desbotada, mas ainda sem nenhuma modéstia, resolveu seguir o vento.

Aliás, não era vento, era plena ventania, e lá se foi a pipa, com a linha arrebentada, passear em novas paragens e de onde estava podia ver, seguindo aquela linha cortada, outro tantão de pipas, coloridíssimas, que o menino também puxava.

A vagar, nada devagar, a pipa esmaecida ao sabor do vendaval foi ter, de maneira engastalhada, aos pés de um carvalhal.

O menino, dando falta de uma pipa, através do carretel, percebeu muito depois, que a tal pipa esmaecida tinha ficado nos céus.

E até hoje senhores tentam a pipa e o menino “desdar” o nó cego da linha, que mesmo se encontrando rompida, permanece poderosa, pois feita do melhor fio de linho.

Nem um consegue a linha, nem o outro encontrar o nó cego.

As outras pipas? ... acomodadas estão cada qual em sua linha, bem certinha, sem nó cego, ao que parece, seguindo o menino...presas ao seu carretel.

E a pipa colorida, agora esmaecida, mesmo sem encontrar a linha, acompanha, ao sabor do vento, o dono do tal cordel.
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E assim termina, por ora, a história da pipa... e a linha com nó cego...fora do carretel.
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Criado e postado por
Domingo, 15/11/2009

11 novembro 2009

Porque ando descalça

Pra não fazer barulho
E acordar meus sonhos
Em todo o seu enleio

Ando descalça
Em plena areia
Pra seguir o mar
E adormecer meu ser
Em mudo corpo de sereia

Ando descalça
Em pleno ar
Pra alcançar o vento
E permitir minha pele
Em suave arrepiar

Ando descalça
Em plena vida
Pra sentir o calor
E aquecer meu eu
Em tépida guarida

Ando descalça
Em plena tempestade
Pra lavar as lágrimas
E acariciar o olhar
Em sua luminosidade

Sim, ando descalça
Pra não fazer ruído

E ter que acordar você em mim

Criado e postado por Márcia Vilarinho





Em 11/11/2009

06 novembro 2009

Planeta Terra: inclusão social ou interligação vital?


A incrível capacidade da genética nos faz reviver, fisicamente, a cada nova geração, no plano material?

Talvez baseada nesse princípio é que exista a premissa para a doação de órgãos e me pergunto, constantemente, se a nossa energia na pátria original não reconhece tudo aquilo, que na matéria já lhe pertenceu sob empréstimo?

Imaginemos quantas experiências reencarnatórias já vivenciamos, e quantos fragmentos materiais, de nós próprios, existem disseminados pelo planetinha e além do planetinha em outros planos de diferentes densidades.

Agora imaginemos o sol e verifiquemos como os raios luminosos de calor, que dele se desprendem, chegam até nós e conseguiremos, por certo, constatar que se o sol é a origem desses extraodinários e energéticos feixes que se transformam em faixos de luz, então nos fica fácil imaginar que somos raios luminosos de um sol maior, em potencial de luz e calor Criador.

Assim nossa essência vive em simbiótica interligação, primeiro com sua Origem criadora, depois com nossos ancestrais e se esses dois pontos são estações em diferentes distâncias de origem, há que se concluir que há tantos pontos de interligação quantas milimetrais distâncias entre o ser e o infinito até o Criador e o ser até o primeiro co-criado, tomando-se por base referencial a estação terra.

Ora se a genética existe e se comprova que sim, acredito que os gens também possam carregar a energia daqueles de quem se originaram tanto considerados o infinito Criador como o primeiro co-criado, admitindo-se que tudo, no universo, se reduz a espécies de energia.

É assim, portanto, que entendo o todo, e esse todo não admite o termo inclusão social, porque a sociedade nada mais é que a força reunida de todos os raios energéticos que representam cada ser em invólucro carnal temporário, nesta estação planetária, diretamente interligados, em tudo, ao todo.

Buscando reflexão, inauguro e até promovo em debate, se não devemos substituir o termo "inclusão social" por "interligação vital "e, aí, passarmos a refletir até onde ofuscamos o brilho do sol ao companheiro, com nossa sombra (em todos os sentidos lato e simbólico da palavra sombra) por não reconhecermos nele a parte fundamental igualitária que só assim pode compor o todo.

Igualitária no sentido de que todas os raios do feixe são fundamentais para o faixo de luz, se um faltar o feixe inexistirá e se o feixe inexistir a ligação com o sol, no caso, será falha e faltarão milionésimos de luz e de calor, cada vez mais e mais e, assim, as sombras se fortalecerão.

E das sombras surgem o medo, o receio, a realidade em ótica inservível, a escuridão, a ausência, a falta e o desaparecimento da luz Criadora. Precisamos, ao que parece, refletir o outro, ao nosso lado, que como raio de sol nos acompanha nesta viagem terrena, para somarmos, como partes estruturais do grande Oganismo, sem o que inexistimos, todos, em nossa necessária amplitude e, ao mesmo tempo, pequenez, por falta de interligação.


Criado e postado por Márcia Vilarinho
06/11/2009

04 novembro 2009

Esteio



Voar pelos ares e além dos ares
Singrar da ousadia os mares
Viver não apenas por viver
Amar, reconhecer, sonhar, realizar
É fazer da meta um esteio
E desse esteio a meta por inteiro.


Resumo poético, como homenagem que faço ao livro "Pássaro sem asas", escrito por Genaura Tormin, com base em sua plena capacidade criativa de voar (vide in http://genaura.blogspot.com/)

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Criado e postado por Márcia Vilarinho, em novembro de 2009.

02 novembro 2009

Obrigada crianças, obrigada pessoas queridas e obrigada vida!



Sábado passado fiz um longo passeio, não sem antes sair com a minha afilhada e sua mãe.

Antes de ciganar, precisava comprar alguns presentes e elas me acompanharam a um dos Shoppings de São Paulo.

Minha afilhada é linda e, ademais de seus sete anos, somos amigas antes até que ela nascesse. Há uma identificação muito bonita entre nós e tenho verdadeiro orgulho em tê-la recebido como sua segunda mãe.

Vou lhes contar...no dia das crianças ela ganhou cinqüenta reais de seu tio e padrinho, comprou um estojo e mais alguns objetos que desejava, sobrando-lhe um troco de dez reais. Não é fácil para ela ter dinheiro sobrando.

No entanto, em determinado momento, parou junto a um quiosque de sorvetes do Mac Donalds, daqueles de casquinha que eu adoro, e me disse: - Madrinha eu vou comprar um sorvete pra você e do seu dinheirinho pagou não só um sorvete para mim, como para sua mãe também. Ela, por estar resfriada, não comprou para si.

A alegria expressa no seu rosto foi tão real quanto a minha surpresa e felicidade, pois, confesso, apesar de receber sempre surpresas lindas de meus filhos e amigos, o ato em si, me emocionou muito, por ver a sua capacidade de desapego e delicadeza.

Aproveito, então, o blog, para abraçá-la, agradecendo, e dizendo... minha menininha, querida, eu a amo e me orgulho muito de você.

Após o sorvete eu as deixei no Shopping e segui rumo ao resto do dia feito de excelente e longo passeio.

Hoje, domingo e véspera de feriado, também aproveitei inteiramente o dia, ciganando, e lá pelas tantas entramos num dos Shoppings de São Paulo, para tomar um sorvete e assistir a um filme.

Por já estar absolutamente exausta não resisti a solicitar um triciclo motorizado, que o Shopping disponibiliza aos clientes, até porque jamais levo o meu para isso, em função do peso e espaço que ocupa.

No elevador bastante cheio, todos, gentilmente, se afastaram e criaram espaço para que eu pudesse entrar. Sorrindo agradeci e comentei, conversando, como é fácil e gostoso somar, ao que todos se mostraram receptivos de maneira muito simpática. Reparei, então, numa linda menina, por volta de seis a sete anos de idade, de olhar bastante expressivo, com uma bola de borracha pequena na cor verde, e olhando para ela disse: “Nooossa, que chic, a bola combinando com a estampa do vestido. Está muito bonito!” Imediatamente ela olhou sorrindo e me disse. Também gostei muito do seu vestido (eu estava com um vestido tipo bata sobre uma calça leg longa).

Acabou virando festa no elevador, pois todos também elogiaram, tanto à bola como aos vestidos e o clima foi realmente mágico até o último andar, a que, coincidentemente, todos iam por destino.

Quando saímos e, vocês não têm idéia de como sou ruim na marcha-ré de qualquer veículo, e com o triciclo não é diferente, porque gosto, mesmo, é de andar para frente.

Saí com bastante cuidado, e todos esperaram para ver como é que eu resolveria a saída, pois o espaço para manobra era limitado.

Quando saí, nos despedimos, e cada qual seguiu seu rumo. Repentinamente, a minha amiguinha do elevador voltou no contra fluxo e me disse, carinhosamente: “Olha, eu esqueci de dizer que gostei muito da sua pulseira e do seu anel, também”. Agradeci, sorrindo e abraçando-a mentalmente, com muito carinho, pois já ia ao longe com seus pais.

Realmente gosto muito de bijuterias diferentes e essa pulseira chama a atenção, pois se faz um bracelete largo em tons de dourado e vermelho rubi, com anel acompanhando, e todos os detalhes são de extrema delicadeza.

Muitas pessoas já me pararam, pela pulseira, mas nunca uma criança de forma, assim, tão carinhosa.

Não poderia deixar de falar sobre a leveza e a beleza da relação humana pura, simples, verdadeira, sem mascaramento e sem agressividade, sem estupidez ou individualismo crônicos, a compensar os dissabores que muitas vezes passamos frente a aqueles que vêm chegar antes da pessoa, a cadeira de rodas.

Assim, o domingo lindo em que o sol resolveu aparecer em traje a rigor, em companhia agradabilíssima, assistindo a um filme excelente, os transeuntes amigos, num grupo desconhecido e bem vindo, demonstrou que a pessoa realmente, neste caso eu, desta vez, lhes chegou antes da cadeira de rodas e, penso, que assim é que é, e assim é que deve ser.

Todos nós chegamos antes de nossos corpos à vida e me parece que na anterioridade da matéria está o verdadeiro e mais puro sentimento, traduzido, na mais das vezes, em amor.

Não faço parte da cadeira...ela apenas me serve para chegar até onde possa estar com cada um de vocês, que tanto amo.

Obrigada crianças, obrigada pessoas queridas e obrigada vida!

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Criado e postado por
Márcia Vilarinho

01/11/2009

29 outubro 2009

Tetraplegia moral, momentânea, de profundo comprometimento?


Ontem, num estacionamento, formado apenas por vagas devidamente sinalizadas para pessoas portadoras de deficiência física, encontrei me, eu, com uma alma encarnada, por certo, como a maioria de nós, em tarefa árdua neste planetinha, e em sugestiva síndrome de tetraplegia moral, momentânea, de profundo comprometimento.

Ao chegar ao local, habilitada por minha paraplegia, resultante de um ato de terceiro imprudentemente imperito e negligente, com o meu veículo devidamente catalogado pelo símbolo internacional de acesso afixado, um em cada um dos seis locais por mim estrategicamente escolhidos nas janelas e parabrisa, cumprindo a determinação da lei, até com exagero, para não constranger os que tenham problemas de visão, encontrei as referidas vagas ocupadas por veículos sem qualquer identificação que os habilitasse para tal, como sempre.

Olhei para um segurança e ele me fez sinal para que procurasse outro lugar e, de fato chovia, assim, literalmente, empaquei onde estava, na sincera intenção de esperar até que uma das vagas pudesse ser ocupada por mim, pois não teria condições de parar além.

Nisso um senhor de relativa idade, com um sorriso especial, saiu lá de dentro e me disse, pelo vidro entreaberto, vou tirar o meu carro já e a senhora pode ocupar a vaga, e assim o fez com agilidade moral e física incríveis.

Tratei então de estacionar, agradecida à delicadeza da postura, sem questionamentos maiores até por força dessa mesma delicadeza.


E como abrir a porta com espaço suficiente para colocar a cadeira de rodas, se o veículo ao lado havia estacionado de forma indevida, impensada e obviamente a revelar o desconhecimento da necessidade de um cadeirante, ou, até de alguém sob o uso de muletas, pelo espaço que necessitam para poderem andar com seus sapatos diferentes?

Nisso eis que chega uma bonita senhora, sem qualquer deficiência física. A essas alturas já estava devidamente atrasada para o meu compromisso, mas ainda confiante de que lograria êxito em descer e "rodar".

Olhei fixamente para a motorista e nada! Ela esperava alguém. Continuei olhando e o olhar fala, porque é a alma que através dele se expressa e a minha alma naquele momento falava da limitação ampliada e da tristeza que isso causava. Estava comigo uma amiga que, desde que eu estacionara, já estava com a cadeira a postos, mas sem espaço para entrar com ela até a porta do motorista, onde eu seguia encurralada.

A senhora, dentro de seu veículo, procurava algo, mexia na bolsa e, após tantos minutos, resolveu dirigir-me o olhar e um trejeito sugestivo de sorriso, apontando-me um senhor que havia já há algum tempo ajudado minha amiga a retirar a cadeira de rodas do porta malas do carro. Não tive a menor vontade de retribuir-lhe o que entendi ser aparente sorriso.

Um senhor simpático, com o olhar bondoso, atendeu-lhe o chamado. Quando ele entrou no carro, andando normalmente, sorriu-me, atencioso, e ela disse mostre, mostre, mostre a sua perna para ela ver que você também é deficiente. Ele de maneira educada disse, que é isso? Ela está me olhando desde que eu entrei no carro, disse ela. Eu vou demorar pra sair. E o Senhor pedia, cada vez em tom mais baixo, para que ela parasse.

Não satisfeita e sem perceber que o meu vidro estava entreaberto disse, de dentro do carro . “É uma mal comida”. Não resisti e respondi em tom calmo e alcançável,apenas, aos seus ouvidos, já que, embaixo de garoa, os carros estavam lado a lado. "Não senhora, apenas paraplégica", por entender que não estaria, por certo, a concorrer quanto à expressão de minha feminilidade, pois apenas aguardava para poder utilizar um espaço determinado por lei, para o qual preencho uma condição prevista, apenas isso.

Fiquei sem saber se aquele simpático senhor era ou não portador de alguma deficiência física. Desci do carro assim que o espaço necessário se fez, atendi ao compromisso que me aguardava, e enquanto retornava concluí que não podemos ser, realmente, preconceituosos, menos ainda egoístas, pois se as vagas existentes, por força de lei, são para deficientes, parece-me que estão faltando, apenas, alguns adesivos especiais para identificar os veículos de pessoas, aparentemente, portadoras de tetraplegia moral, momentânea, de profundo comprometimento.

Ao chegar próximo ao carro, vejo saindo, da mesma vaga outrora ocupada, uma linda jovem, longos cabelos, absolutamente normal fisicamente, destravando a porta de seu carro ali sob ilegal descanso, sem se preocupar com absolutamente nada que não fosse a sua própria pessoa.

Inauguro aqui, pois, por consequente, a campanha para a inclusão social das pessoas assim limitadas, com o pedido de que sejam criativos, os fabricantes, para os adesivos identificadores dessa modalidade especial de anomalia, ora, simbolicamente, por mim, referida por tetraplegia moral, momentânea, de profundo comprometimento.

Qualquer semelhança com o que se vê no dia a dia, em todos os locais em que se delimitam vagas para portadores de deficiência, não é mera coincidência, conforme se pode constatar também nos vídeos, exibidos no Youtube, com denúncias, ao lado inseridos.

Por que tanto desrespeito?

Criado e postado por
Márcia Vilarinho
28/10/2009

[1] http://pt.wikipedia.org/wiki/Tetraplegia
[2] http://pt.wikipedia.org/wiki/Moralidade

26 outubro 2009

Quanto aos vídeos colocados na lateral direita



Quanto aos vídeos colocados na lateral direita, informo que é preciso esperar um pouquinho para que entrem aqueles pertinentes ao texto (são 04 jogos, contendo O4 vídeos em cada tema), pois por algum motivo aparece sempre um que é apenas mostra de vídeo mais visto no Youtube. Coloque o mouse sobre cada tela e vc saberá o tema a que se refere. Abraços e obrigada pela visita, sejam sempre bem vindos. Márcia

23 outubro 2009

Metamorfose do pré-conceito


Quero hoje iniciar abordagem direcionada ao que entendo significa pré-conceito, não com base no dicionário, mas na reflexão a que a vida nos leva. Como já tive a oportunidade de ressaltar, a vida terrena me parece ser a metamorfose da alma, através das várias viagens etéreas que fazemos entre a pátria original e as diferentes estações de aprendizado e aperfeiçoamento, dessa mesma alma, espalhadas pelo Universo. Somos, pois, viajantes itinerantes. Chegamos ao planeta terra e o que é o nosso corpo senão limite? Nossa alma necessita desse limite físico, formado de matéria própria para a vivência pontuada por essa mesma espécie de matéria. Temos, no entanto, o sono todas as noites, que nada mais é que a porta de entrada para o etéreo, alcançando, por ele, cada qual a latitude e plenitude capaz pelo maior ou menor apego ao planeta e aos seus bens patrimoniais físicos, de primeiro quilate em beleza.

Imaginemos na orla do mar, noite afora, e talvez alguns de nós até possam ver, vários e vários seres desprovidos do invólucro carnal, a ele ligados apenas por um cordão prateado, e chegando em patamares de diferentes energias, para buscar ou prestar socorro energético em escolas, hospitais, departamentos de assistências várias, enfim em toda gama de verdadeiras cidadelas munidas de infra-estruturas compatíveis com suas localizações e objetivos.

Referi-me à orla do mar porque ali se refazem muitos dos doentes, pelo iodo, e já sabemos que a doença não passa de expressão repetitiva ou fixa de uma ou mais feridas pretéritas na alma, que vem justamente, pela reencarnação, buscar o remédio, que se resume em estudo e aprendizado de sua matéria “curricular” deficitária.

Assim senhores, com muito amor, nenhum de nós aqui chegou como turista privilegiado e sim como lapidador de sua própria gema, no seu polimento necessário, como verdadeira pedra valiosa.

Não há almas cegas, nem deficientes físicas, nem míopes, nem com seqüelas de pólio, nem esquizofrênicas, loucas de qualquer espécie ou com um sem fim de expressões corporais deficitárias. Compreendi, nesse meu caminho de eterna aprendiz, que o corpo apenas expressa, de forma tão limitada quanto ele próprio o é, as feridas da alma.

Para que nos serviria a vida, na riqueza de aprendizado a que somos submetidos, se não fosse para podermos transmitir ou retransmitir o que, de real, conseguimos assimilar dessa escola incrível, mantendo a capacidade de amor viva a cada novo dia, na soma que a troca nos situa como elos de uma só corrente, chamada humanidade.

Entendo mais, ainda, que pré-conceito não é apenas o desconhecimento, por falta da necessária observação, estudo e reflexão, quanto a sexo, raça, credo, estado físico ou cor, mas, sobretudo, conceito pré e falsamente formado quanto ao que estigmatiza uma pessoa, por diferenças sem que se prepondere suas qualidades ou suas dificuldades, de maneira própria e específica, e não genérica à luz do próprio eu.

Trouxe, portanto, um dos professores mais especiais e queridos para deixar, aqui, posto, o respeito pela dignidade de cada um de nós, enquanto seres defeituosos em nossas almas, que detêm, no corpo, o aparelho tutor para suas andanças necessárias à busca da também necessária cura para o ato imperito e pretérito que lhe provocou o ferimento n’alma.

Que voz poderá se levantar para julgar, portanto, cada um de nós, como diferentes, deficientes ou carentes de conhecimento? Talvez por isso Jesus haja dito:- “Que atire a primeira pedra o que estiver sem pecado”.

Não fiquemos, pois, nos pré-conceitos, vamos ao estudo e à reflexão, com alegria, pois esses sim são capazes de nos fazer dignos de construir a verdadeira humanidade.

Encontrei belíssimo tema, que nos fala ao coração e à mente, porque não importa se cadeirante, ou portador de qualquer outra deficiência, ou não, o princípio da necessária metamorfose não está no casulo da borboleta e sim no seu próprio vôo, e a todos nós, tão deficientes, não deve importar que tipo de expressão, em nós, está a contrariar os padrões postos por um ciclo histórico social, tão limitante e limitado quanto o próprio corpo.

Não estou aqui a defender quaisquer bandeiras que não sejam as que derivem de uma história de muito além, que por não a conhecermos, pelo dom do esquecimento, jamais nos permitirá julgar, mais ainda porque nosso destino, acima de qualquer outro, é a estação do amor.

Justamente, pois, pelo momento em que vivemos, observando a mutação de valores e, sobretudo, as diferentes formas de expressão de amor que surgem entre muitos jovens e não jovens, que, por certo, algo têm a aprender ou a ensinar com isso, é que à leitura dos sinais exteriorizados ainda não podemos e nem devemos concluir.

Fiquemos, pois, com Chico Xavier, que assim nos ensinou:
"Não vejo pessoalmente qualquer motivo para criticas destrutivas e sarcasmos incompreensíveis para com nossos irmãos e irmãs portadores de tendências homossexuais, a nosso ver, claramente iguais às tendências heterossexuais que assinalam a maioria das criaturas humanas. Em minhas noções de dignidade do espírito, não consigo entender porque razão esse ou aquele preconceito social impediria certo numero de pessoas de trabalhar e de serem úteis à vida comunitária, unicamente pelo fato de haverem trazido do berço características psicológicas e fisiológicas diferentes da maioria.”

”Nunca vi mães e pais, conscientes da elevada missão que a Divina Providência lhes delega, desprezarem um filho porque haja nascido cego ou mutilado. Seria humana e justa nossa conduta em padrões de menosprezo e desconsideração, perante nossos irmãos que nascem com dificuldades psicológicas?" (Publicada no Jornal Folha Espírita do mês de Março de 1984).

E quando perguntado como se explica o homossexualismo à luz da Doutrina Espírita, disse: "
Temos tido alguns entendimentos com espíritos amigos, notadamente com Emmanuel a esse respeito. O homossexualismo, tanto quanto a bissexualidade ou bissexualismo, como assexualidade, são condições da alma humana. Não devem ser interpretados como fenômenos espantosos, como fenômenos atacáveis pelo ridículo da humanidade. Tanto quanto acontece com a maioria que desfruta de uma sexualidade dita normal, aqueles que são portadores de sentimentos de homossexualidade ou bissexualidade são dignos do nosso maior respeito e acreditamos que o comportamento sexual da humanidade sofrerá, no futuro, revisões muito grandes, porque nós vamos catalogar do ponto de vista da Ciência todos aqueles que podem cooperar na procriação e todos aqueles que estão numa condição de esterilidade. A criatura humana não é só chamada à fecundidade física, mas também à fecundidade espiritual.Quando geramos filhos, através da sexualidade dita normal, somos chamados, também, à fecundidade espiritual, transmitindo aos nossos filhos os valores do espírito de que sejamos portadores."

"Não nos referimos aqui aos problemas do desequilíbrio, nem aos problemas da chamada viciação nas relações humanas. Estamos nos referindo a condições da personalidade humana reencarnada, muitas vezes portadora de conflitos que dizem respeito seja à sua condição de alma em prova ou à sua condição de criatura em tarefa específica. De modo que o assunto merecerá muito estudo. Nós temos um problema em matéria de sexo na humanidade que precisaríamos considerar com bastante segurança e respeito recíproco.Vamos dizer: se as potências do homem na visão, na audição, nos recursos imensos do cérebro, nos recursos gustativos, nas mãos, na tactividade com que as mãos executam trabalhos manuais, nos pés, se todas essas potências foram dadas ao homem para a educação, para o rendimento no bem, isto é, potências consagradas ao bem e à luz, em nome de Deus, seria o sexo em suas várias manifestações sentenciado às trevas?" (Entrevista concedia à extinta Rede Tupi de Televisão, São Paulo, ao programa "Pinga Fogo", em 28 de julho de 1971).

Postado e criado por Márcia Vilarinho
Textos de Chico Xavier, transcritos.
São Paulo (SP), 23/10/2009

19 outubro 2009

Metamorfose da chatice


Já começa, o dia, pelo barulho irritante do relógio, tic, tac, tic, tac, tic, tac, tic, tac, tic, tac, tic, tac, tic, tac, tic, tac, tic, tac, tic, tac, tic, tac, tic, tac, tic, tac, tic, tac, tic, tac, tic, tac, num crescendo vertiginoso, tomando o dia todo e todo dia também.

Pra completar, chove, não aquela chuva gostosa que nos faz pensar em dormir, aquela chuva horrorosa bem no dia em que você precisa sair e cumprir 24 compromissos, um por hora, sem dormir.

Trânsito, buzinas, carros, sirenes, motos, um montão de motos, muitas motos, mais motos, horário, não vai dar tempo, cheguei, não cheguei, fui, vi e não resolvi...

Caramba! Não almocei, não lanchei, me consumi e, mesmo assim, não assumi a metamorfose do eu, do meu, do sou e do estou.

Chega, chega, chegaaaaaaaaaaa, não quero mais essa rotina insana em que tudo é afazama.

Daqui pra frente apenas o tic, tac, do meu coração, que pulsa e regurgita vida, será o único relógio e também meu guia.

Quero fazer do dia apenas alegria e cores e sorvetes, ainda que em dias de frio, e risos e poesia.

Quero ovo frito, arroz saindo do fogo, na panela bem quente, batata palha feita em casa e salsicha.

De sobremesa, lanche e jantar eu quero bolo de chocolate, brigadeiro e marzipan.

Vou realizar minhas tarefas, quando tudo estiver calmo, em silêncio.

À noite de preferência, pra não perder o dia, o sol, no parto do renascer.

Mas só depois, que meu ser puder expirar, transpirar e recolher amor, aquele mais que verdadeiro.

Feito do fogo que enebria, sem ser eterno, ou repetido, exigido, cobrado, chato.

Quero-o infinito no minuto em que dure, esfuziante e pleno, meio etéreo, de preferência em tons de ouro sobre azul, que é a cor de todos os poetas.

Quero ser harpa e até violoncelo, compondo uma nova sinfonia a cada êxtase.

Romantismo sempre em voga, sempre, com tantos carinhos quanto risos e sorrisos magia em estertor.

Flores, perfumes, velas, penumbra, música, água, o som de água, o mar, talvez.

Que o telefone não toque e que eu crie em cada dia um novo plano pleno.

Que nas manhãs eu possa ser meiguice e calmaria quando espreguice.


E não vou ser, por enquanto, apenas avó precoce.

Porque estará sempre em mim o ser em apoteose.

Já que há tempo pra tudo, pra florir, semear e colher.
E o perfume existe em todas as estações do ano.

E aesse perfume é o que chamo minha alma de mulher.

Que eu faça da vida, nas manhãs, uma metamorfose eterna.

Transformando toda e qualquer chatice em estrela vésper.

Luminosa a bailar única no céu sem luar e escondida no dia a dia.

Num canto com encanto repleto de pleno e total mistério, porque
sou o que desejo e o que desejo é ser o que exatamente sou.

Criado e postado por
Márcia Vilarinho
19/10/2009