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30 dezembro 2013

Somos partes que se somam na mandala do Universo

Somos
Assim como as ondas
Que vem e vão
Na cadência natural
Do seu próprio universo
Somos verso
Assim também  como a brisa
Que se recolhe
E não sei aonde se fortalece
Para se transformar em tufão
Varrendo impurezas do solo
Do ar e mar em união
E somos tantas vezes
Esse mesmo tufão enfraquecido
Tornados aragem novamente
Acariciando a própria criação
Somos assim como o sol
Que ora aparece ora não
E somos ainda tanto quanto a lua
Escondida na neblina
Ou no pó das estrelas afastadas
Que ressurge quando quer
Ou quando pode eu não sei não
E que se reflete no mar
Em deleite de poesia
Como se fosse o próprio olhar
Do mundo feito globo ocular
A nos fazer enxergar
Que a própria vida
Vai e vem a balouçar
E assim agradecidos
Os dias também vêm e vão
Sempre muito variados
E o ano passa...
E nos repassa a limpo
E tantos amigos aragem
E outros tantos tufões
Estão então a se transformar
Para a soma maior realizar
Nesse eterno renascer
Que nos faz oxigênio
Um do outro o tempo todo
Bastando reconhecer
Que somos por isso mesmo
Outeiros semi inteiros
Aprendendo a somar...
Na mandala do Universo
.
Márcia Fa. Vilarinho Lopes

18 dezembro 2013

 
Então é Natal!


E no meu coração quero que assim o seja todos os dias da minha vida, no encontro com todos os transeuntes que cruzam as estradas e fronteiras da vida ao mesmo tempo que eu, independentemente de credo, raça, local ou cor.
 
E na minh’alma quero que assim o seja todos os dias desta minha encarnação unida ao aniversariante e agradecida a tudo que o Pai criou, sejam todos os pontos basilares do Universo e suas maravilhas, sejam o corpo, que serve de instrumento diário a tantos, e a energia una que nos soma ao plano de equilíbrio da própria Vida.
 
E  a cada nascer do sol quero que assim o seja no abraço que lhe envio a cada dia...porque a amizade já é o próprio sentimento que enlaça para sempre, com amor...e por favor abra o endereço eletrônico abaixo, porque ele compõe o Natal.





Feliz Natal sempre

Márcia Vilarinho

17 outubro 2013

O mais lindo dueto da minha vida em reflexos de cristal

 
I
Recebi um cristal de presente da minha filha e assim a ela agradeci:
No silencio dos meus dias
Transmutações se refletem
Numa torre de cristal
Imantada por poderosas mãos
Geridas pelo coração
Nas água do rio Vida
Acalanto de emoções
Que o cristal irradia
Guardando com maestria
Sua natural energia
Que se perfaz em quimeras
Sonhos a realizar
Porque o cristal vaticina
Desde suas remotas eras
As descobertas de cura
No silêncio dos seus dias
Em seu pleno transmutar
 
II
Como quem herda aos seus não nega a Deus, ela então me respondeu:
Poderosos elementais de soma
Multiplicadores da luz
Em união com a tua força
E com o teu coração
Será certeira a intenção
Chuva de luzes coloridas
Na perna...na casa...na vida
E quem não tem uma ferida?
Para a cura da alma auxiliar?
Que te tragam muitas bênçãos
A perna...o cristal...e os pensamentos
Pois Deus está em Tudo
Ajudando-nos a Amar
Bom dia minha amada Mãe
Obrigada pela força inesgotável
Que levanta
E nos ensina a caminhar
.
Debulhada em lágrimas de emoção, que se fizeram furta cores, refletidas no cristal eu descobri assim que está pronto o mais lindo dueto da minha vida, feito de mãe e filha, e mais ainda de Graziela e cristal.
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes e Graziela Miê Peres Lopes
Em 17-10-2013
 

04 outubro 2013


Lembranças dos meus escritos
São ecos de todo meu eu
Que reproduzem asteriscos
Nas luzes de cada noite
A perpetuarem o céu
.
Lembranças dos sentimentos
São pinturas escolhidas
Tintas em linimentos
Em nuances verdadeiras
Assim vivificadas
. 
Lembranças das minhas verdades
São bases da realidade
Do amor e do grão carinho
Que na árvore do universo
Fizeram tão lindo ninho
.
Lembranças do meu eu
São eternas primaveras
Que rechaçaram o inverno
Que recusaram o outono
Que não permitiram o abandono
.
Lembranças das esperanças
Da crença no renascer
Do abraço tão escondido
Do carinho acumulado
Que só fizeram crescer
.
 Lembranças sou eu criança
Num coração de mulher
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Da série: Lembranças

29 setembro 2013

A lenda


Nasceram juntos, num mesmo dia, há muitos e muitos anos, na terra, humanizados e donos de especial junção, o Sol e a Lua.
.
 Dizem que, então, o Sol feito homem deus, com medo do amor da Lua, guardou no sótão do tempo todo o seu potencial de sentimentos, embaixo de um tapete magicamente bordado, em que fincou poderosos pregos de aço. Fechou as janelas do sótão, trancou com chave própria as portas invioláveis do tempo e a perdeu nas neves do Himalaia. E tão alto subiu que nunca mais desceu à terra. Desde então passou a contar apenas com o seu brilho próprio, sozinho no espaço, a iluminar os dias, no planeta abandonado, desde os cimos a procurar a chave perdida e por mais que lhe tenha sido concedido o poder de derreter a neve, não mais a encontrou.
.
Dizem, mais, que a Lua, então, chorosa sem qualquer temor, em coração aberto, passou a sentir o frio gélido da distância, perdendo aos poucos praticamente todo o seu brilho e volitou procurando um pouco de luz e calor, e tão alto subiu, que à terra nunca mais voltou e desde então recebe apenas o generoso reflexo da luz do sol sobre seu corpo inerte, para vencer a escuridão que a tomou, e com os olhos baixos pelos vulcões da terra e nas fogueiras que se acendem ao longe, a identificação do fogo que arde em seu coração, a faz magia e animus para os poetas, e mesmo nas luzes de neon ainda que sejam as cores desmaiadas da amizade, reflete as sombras de todos os seus vãos mistérios.
.
E diz a lenda que assim permanecerão mudos e distantes até o dia em que as portas do tempo consigam ser abertas para que o sol baixando à terra ao reproduzir sobre a lua a sua generosa e emprestada luz seja capaz de fazer com que ela o siga, e, então, voltarão a ser humanizados nos rincões da terra, dentro de uma nova evolução.
.
E nesse dia, talvez, os terráqueos tenham se mudado para o espaço....
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Da série "Distâncias"

24 setembro 2013

Pés descalços e alma nua


O negrume do céu
Em convulsivo pranto
Chora nas lágrimas da chuva
O açoite do vento
E da minha janela de vidro
Vejo esparsas luzes
Que avançam
Na prorrogação dos dias
Madrugada adentro
E no silêncio intenso
Uma oração
Em que somente peço
Que nunca se afastem
Os virtuais amigos
Que me conhecendo a alma
Abraçam-me e enlaçam-me
Em estrofes e em versos
Na força etérea da poesia
Que aquece a vida
E ilumina a sorte
Já que muitos
Há muito se foram
Ou sequer chegaram
Sem saber
Sem perceber
Sem anotar
Que meus pés descalços
E alma nua
Não são percalços
São tão inteiramente
E apenas... eu
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Da série "Pedaços d'alma"
 

19 setembro 2013

Plenitude

E num lampejo
Encontro-me com o nada
Sem horários
Sem trabalho
Com tempo para o espelho
E reflito
E me reflito
E sei que assim é o amor
Você se vê
Você se reflete
Um é o espelho do outro
E então
Do nada ao tudo
Eu corro ao seu encontro
Com tempo
Sem relógio
Despida de qualquer atalho
E você me recebe
Plena imagem
Do seu ser
E nada nos separa
.
Márcia Fa. Vilarinho Lopes
Da série "Retratos d'alma"

18 setembro 2013

Imutáveis reticências


Amanhece...
Sou
 Somente olhos
Fixados no azul
Do céu no mar
Entre a areia
E o horizonte
Translúcidas
Possibilidades
Infinitas
Em passeio
Extraordinário
Do meu eu
Em mim
.
De repente
Anoitece...
Assim bem perto
De ver
Perdido no azul
Tão náufrago
Fugidio ser
Pra sempre...
Num submarino
Cinza chumbo
A navegar
Pelo fundo do mar
Sem olhos
De  ver e de olhar
.
Amanhece...
Novamente acontece
E ainda sou
Olhos a deter
O azul do céu
Espelhado
Na imensidão do mar
Entre o horizonte
E a areia
Translúcido
Nas possibilidades
Assim infinitas
Permanentemente
Reticentes
Em mim...
 .
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Da série "Retratos d'alma"

01 setembro 2013

Sob os olhares do tempo

Depois do inverno
Recalcitrante
Não há mais jeito
A primavera
Fênix do outono
Em primazia
Reviveu assim
No inverno
De hibernadas cores
E das trilhas
Unificada a vida
Re unidos
Após tantos anos
Parados
Na bifurcação da rota
Gris em blue
Vamos agora nós
Sorrindo
Na intersecção
Do ser
Sob os olhares do tempo
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Da série “Gris em blue”