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19 setembro 2013

Plenitude

E num lampejo
Encontro-me com o nada
Sem horários
Sem trabalho
Com tempo para o espelho
E reflito
E me reflito
E sei que assim é o amor
Você se vê
Você se reflete
Um é o espelho do outro
E então
Do nada ao tudo
Eu corro ao seu encontro
Com tempo
Sem relógio
Despida de qualquer atalho
E você me recebe
Plena imagem
Do seu ser
E nada nos separa
.
Márcia Fa. Vilarinho Lopes
Da série "Retratos d'alma"

18 setembro 2013

Imutáveis reticências


Amanhece...
Sou
 Somente olhos
Fixados no azul
Do céu no mar
Entre a areia
E o horizonte
Translúcidas
Possibilidades
Infinitas
Em passeio
Extraordinário
Do meu eu
Em mim
.
De repente
Anoitece...
Assim bem perto
De ver
Perdido no azul
Tão náufrago
Fugidio ser
Pra sempre...
Num submarino
Cinza chumbo
A navegar
Pelo fundo do mar
Sem olhos
De  ver e de olhar
.
Amanhece...
Novamente acontece
E ainda sou
Olhos a deter
O azul do céu
Espelhado
Na imensidão do mar
Entre o horizonte
E a areia
Translúcido
Nas possibilidades
Assim infinitas
Permanentemente
Reticentes
Em mim...
 .
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Da série "Retratos d'alma"

01 setembro 2013

Sob os olhares do tempo

Depois do inverno
Recalcitrante
Não há mais jeito
A primavera
Fênix do outono
Em primazia
Reviveu assim
No inverno
De hibernadas cores
E das trilhas
Unificada a vida
Re unidos
Após tantos anos
Parados
Na bifurcação da rota
Gris em blue
Vamos agora nós
Sorrindo
Na intersecção
Do ser
Sob os olhares do tempo
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Da série “Gris em blue”

04 agosto 2013

Sincronicidade


E os dias passam...
Na corrida dos minutos
Controlados por segundos
Feitos coração do mundo
Bombeando a própria vida
Modificando e mutando
Nossos traços fisionômicos
E rugas na própria terra
Células de novas eras
A parecer que retratam
A reformulação d’alma
Em inesperados sustos
Que lhes aplaca a calma
Em novos despertares
Todos espetaculares
Como o nascer do sol
Enfeitando nos a lida
Em novos dias novos
Finalizações de ciclos
Em que sentimentos
Feitos vãos tormentos
Assim tão complicados
Ao final se esclarecem
E têm um livre vigorar
Infinitamente simples
Mansamente expostos
Na verdade que contem
A amizade em sua cor
Que na força da semente
Germinou pra sempre
Na verdade do que sinto
Penso, quero e espero
Nitidamente expresso
Em sincronicidade
Objetivamente
.
Márcia Fa. Vilarinho Lopes
Da série "Mutações"
 
 

25 julho 2013

Ode à alegria

Há um não sei que
Não sei aonde
Na alma da gente
Em prenúncio de alegria
Na mais pura energia
Toda vez que se vê
Um pássaro a voar
O sol no mar
A brisa em dia de calor
O sol a se deitar
Uma criança a correr
O desabrochar da flor
Um olhar a se rever
E aquele velho amigo
A se reencontrar...
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Da série  “Pedaços d’ouro”
 

21 julho 2013

O menino e a lua


Da sua janela
O menino via a lua
Que a rede balançava
Na certeza do amor original
Com que a mãe embalava
O menino toda a vida
.
Da sua janela
Dentro do rapaz
Sobrevivia o menino
Que embalava sua mãe
No acalanto da lua
Sobre a rede
.
E lá fora o mar lembrava
As ondas que a vida trouxera
Sempre iluminadas pelo sol
Que havia nos olhos do menino
E refletindo ainda a lua
Que brilhante existia
No coração da mãe do menino
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Da Série "Pedaços d'ouro"
 

17 julho 2013

Intrigante sintonia


Ah!
Intrigante sintonia
Que me leva a saber
Encadeadamente
Displicentemente
E totalmente sem querer
Sobre o seu pisar
E os passos de quem
O estiveram a acompanhar
Aproximadamente
Há quarenta e oito horas
.
Da série “Percepções”
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

15 julho 2013

Nas entrelinhas do amor

Antes de me ir eu quero
Caminhar ao teu lado
E de repente te abraçar
Com a força da emoção
Explodida
Arrebentada
Arrebatada
Nas entrelinhas do amor
A te fazer vivo para sempre
Na espera de me reencontrar
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Da série "Reencontros"

04 julho 2013

Arabescos

De repente
Não mais que de repente
Você sente
Que é preciso modificar
Critérios
Sensações
Sentimentos
Que lhe aprisionaram

De repente
Não mais que de repente
Você é
Exatamente o ponto inicial
Das suas descobertas
Do seu eu nú
Liberto
Em reacerto
 
De repente
Não mais que de repente
As verdades permanecem
Puras como cristais
E não mais embaçadas
Escondidas
Em coloridos arabescos
Desses vãos vitrais
.
Márcia Fernandes Vilarinho Lopes
Da série "Reflexos dos cristais"